Conflitos geraram 2
mortes no ano passado
O Movimento dos Sem-Terra contabilizou duas mortes por conflitos agrários em 99, de Eduardo Anghinoni, em 29 de março, no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte, e de Hélio Costa Miranda, que era posseiro na área de Rasgadinho, no município de Guaratuba, junto com outras 26 famílias.
Eduardo Anghinoni foi morto de noite, na casa de seu irmão, Celso Anghinoni, uma das lideranças do movimento no noroeste. No início, a polícia chegou a aventar que as causas da morte teriam sido brigas em família, problemas com mulheres ou queima de arquivo pelo seu envolvimento em desvio de dinheiro na Cooperativa dos Assentamentos em Querência. O MST, por outro lado, logo citou a hipótese de que o tiro era dirigido ao seu irmão, Celso Anghinoni. ‘‘Ele sempre encabeçou as listas dos nomes mais visados no movimento’’, justifica o advogado do MST, Darci Frigo. Esta versão foi comprovada com exames de perícia que apontaram José Firmino Borracha, pistoleiro contratado pela União Democrática Ruralista (UDR) como autor do crime. Segundo Frigo, o pistoleiro está respondendo a inquérito em liberdade e vai a júri.
Já Hélio Costa Miranda, pai de seis filhos, vivia há 20 anos na área de Rasgadinho. Junto com outras famílias, eles enfrentavam uma briga com o criador de búfalos Sérgio Cavalcanti, dono da propriedade vizinha Estrela. A partir de 95, a situação ficou mais grave com a contratação de pistoleiros por Cavalcanti e a entrada constante dos búfalos na área dos posseiros. Assim, no dia 16 de agosto, Miranda e outros posseiros tentavam espantar os búfalos de suas terras, quando um animal investiu contra ele. Na tentativa de fugir pulando uma cerca, ele se feriu na perna com um facão, causando hemorragia intensa, que o levou à morte em oito minutos.
Cavalcanti, segundo Frigo, chegou a ser preso e solto após pagar fiança de R$ 4 mil. Ele reponde, ainda, por outra queixa por ameaças feitas aos posseiros e à viúva de Miranda. Caso o Ministério Público entenda que houve quebra da fiança, Cavalcanti poderá ser preso novamente. ‘‘Se isso acontecer, esta será a segunda vez no Estado que um fazendeiro vai preso’’, diz Frigo.

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