Conflito entre igrejas pode dissolver Instituto Filadélfia
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Carina Paccola 
Representantes de seis igrejas evangélicas, que são cotistas do Instituto Filadélfia de Londrina (IFL), pediram no último sábado a dissolução da sociedade, que mantém o Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), o Colégio Londrinense e o Filadélfia Baby. O pedido foi feito por pastores da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, Igreja Metodista Central de Londrina, Primeira Igreja Batista de Londrina, Igreja Presbiteriana da Vila Nova, Igreja Presbiteriana da Vila Judith e Comunidade Evangélica Luterana. A sétima igreja sócia do IFL é a Presbiteriana de Londrina, que dirige hoje o Filadélfia.
De acordo com os pastores, que assinaram manifesto publicado na Folha, as seis igrejas vão entrar na Justiça nesta semana pedindo a dissolução societária, já que não houve possibilidade de ser feita por vias amigáveis. O mesmo grupo tentou realizar uma assembléia com todos os cotistas no dia 8 de fevereiro para discutir a dissolução da sociedade, convocada pelo vice-presidente da assembléia, Sebastião Eduardo Alves Pellissier. Mas resolveu desmarcá-la para requerer na Justiça a dissolução da sociedade.
O presidente da assembléia, Wilson Munhoz, e a Igreja Presbiteriana de Londrina obtiveram sexta-feira liminar, concedida pela juíza Cristiane Tereza Willy Ferrari, para suspender a convocação da assembléia geral, alegando que tal atribuição caberia ao presidente da assembléia ou então ao quórum mínimo de um terço dos cotistas.
No documento publicado na Folha, os pastores signatários afirmam que a Igreja Presbiteriana de Londrina fez aumentar o número de suas próprias cotas de participação social de modo a tornar-se majoritária, no desejo de passar a comandar as assembléias gerais da Instituição e, sozinha, governá-las.
A Igreja Presbiteriana de Londrina possui 782 cotas; as outras seis, 683. Os seis pastores questionam a origem do crescimento de 628 cotas - que a Igreja Presbiteriana de Londrina tinha em 1988 - para 782. A Igreja Presbiteriana de Londrina vota nas assembléias com 782 cotas desde 1993.
Recortes de jornais de julho de 1992 mostram que o Instituto Filadélfia convocou os cotistas para que se apresentasseem ao Instituto e recadastrassem suas cotas. Os editais foram publicados três dias seguidos na Folha de Londrina, Jornal do Brasil e Diário Oficial do Estado. O Instituto foi fundado com 2.000 cotas, mas não há identificação dos proprietários de todas.
Segundo a direção do Filadélfia, em 1992 não apareceu nenhum cotista para se recadastrar. Na Igreja Presbiteriana de Londrina, a informação é que o crescimento do número de cotas ocorreu porque membros da igreja doaram a ela suas ações. Segundo a direção daIFL, a doação de cotas não é documentada.
Os pastores que querem a dissolução do Instituto Filadélfia ainda não têm claro o que vai acontecer com a instituição. Segundo os pastores, isso só vai ser definido quando o caso estiver na Justiça. Para eles, a dissolução não implica necessariamente a extinção da escola.
A diretoria do Filadélfia acredita que, se a sociedade for dissolvida, o instituto deixará de existir. O patrimônio é estimado em R$ 5 milhões. O Filadélfia possui prédios que ocupam quase uma quadra, entre a avenida Juscelino Kubitschek, rua Alagoas, rua Goiás e rua do Escoteiro. O Filadélfia mantém um berçário, colégio de 1º e 2º graus e faculdades.
Segundo a direção do Filadélfia, nas assembléias realizadas desde 1988 houve pequena participação das outras igrejas. Na opinião da diretoria, agora que o Filadélfia apresentou um bom resultado financeiro, as outras igrejas estão se manifestando. Enquanto a instituição esteve no vermelho não teria havido qualquer manifestação. No documento publicado na Folha, os pastores deixam claro que querem sair da sociedade e que não pleiteiam cargos ou lideranças na administração.


