Conflito com a polícia para sair da ilha
''Estou aqui, nesta situação. Esperando a morte me buscar.'' A afirmação desolada é do agricultor Elício Luís de Araújo, 71 anos, mais conhecido como Manelão. Atualmente morando em Guaíra, ele se diz desesperançado e acredita que terá o mesmo destino de outros ex-ilhéus, que morreram sem ver a cor do dinheiro das indenizações. Ele viveu com a família, onze filhos, de 1956 a 1983 na Ilha Grande.
Manelão conta que a saída de suas terras não foi pacífica. Em vez de ser expulso pelas águas das enchentes, como a maioria dos ex-ilhéus, ele teria sido ameaçado pela polícia para desocupar a área. ''Você vai sair por bem ou prefere sair na marra?'' Esta foi, segundo ele, a frase ouvida dos oficiais, que não deixaram chance de escolha. A revolta é ainda maior quando o agricultor lembra do padrão de vida que tinha na ilha. Eram seis alqueires de roça e dois barcos. Os filhos foram todos criados com o suor da família no trabalho na roça. ''Hoje não estou engordando nem pulga. Naquele tempo não tinha conta. Agora só tenho dívidas'', reclama.
Já no assentamento em Guaíra, a família tem enfrentado dificuldades para sobreviver. Um dos filhos, José Luís, 40, chegou a participar da grande marcha do MST a Brasília em 2001. Uma esperança de ganho surgiu quando ele ficou sabendo da existência de uma espécie de raiz existente nas ilhas. O ginseng servia para o consumo e possuía bom valor de venda. Ao tentar coletar a planta, no entanto, ele teve uma surpresa desagradável. Na companhia de outros ex-ilhéus foi perseguido pela polícia porque a extração do vegetal é ilegal.
José Luís e um irmão foram presos e ficaram um mês detidos em Naviraí (MS). O superintendente do Ibama no Paraná, Marino Eligio Gonçalves, salientou que a extração da espécie é proibida pela legislação ambiental. FN62>(F.R.F.)





