As confissões de Celina e Beatriz Abagge na época do crime, que segundo elas teriam sido obtidas sob tortura, foram gravadas em fita cassete e apresentadas pela polícia à imprensa no dia 9 de julho de 1992, uma semana depois das duas terem sido presas na Penitenciária Feminina de Piraquara. A versão escrita da degravação mostra diálogos entre Celina, Beatriz, o pai-de-santo Oswaldo Marcineiro e um policial militar não identificado, encarregado de conduzir o interrogatório. A gravação tem aproximadamente 20 minutos e três cortes. Sons de música de fundo contidos na fita foram considerados, na época, indícios de que as confissões poderiam realmente ter sido obtidas sob pressão.
As perguntas feitas pelo policial são diretas e pedem a descrição detalhada do crime. Segundo Beatriz, antes de iniciar cada trecho da gravação o policial fazia um ‘‘treinamento’’, com perguntas e respostas ensaiadas. ‘‘Se eu não respondesse exatamente o que estava combinado, ele reiniciava as torturas’’, conta. Quase todas as perguntas feitas pelo policial são respondidas apenas por Beatriz, que no interrogatório confessou ter oferecido balas para que Evandro entrasse em seu carro.
As frases de Celina aparecem apenas no final da fita, depois da suposta confissão de Beatriz. Na gravação, Beatriz afirmava ter sido Vicente De Paula quem matou e cortou o abdome do menino para retirar seu sangue. Num dos trechos, a voz de Marcineiro confirma que De Paula estrangulou Evandro.
A seguir, alguns trechos transcritos da fita pela Polícia Militar: ‘‘Pergunta - Quem matou a criança daí? Quem cortou? Beatriz - Foi o De Paula. Pergunta - E aí quem foi que segurou a criança? Em quantos vocês estavam? Os quatro? Todos vocês seguraram? Beatriz - Eu e minha mãe, cada uma segurou em uma mão da criança, e o Osvaldo segurou embaixo as pernas.. E daí o De Paula estrangulou, cortou o pescoço...abriu... e aí ele não permitiu mais que a gente visse, porque ele era o pai-de-santo...Pergunta - Por que foi feito isso? Por que foi sacrificada a criança? Beatriz - É pra vir mais fortuna, justiça...Pergunta - Pra quem? Beatriz - Pra minha família...Celina - Para que você está fazendo isso, minha filha...isto é mentira, minha filha...Beatriz - Nós fizemos o trabalho, mamãe...(adiante)...Fale, mãe! Fale... conte aí! Celina - Ah, minha filha, se você está falando isso...é verdade! Pergunta - O que é verdade? Celina - Que nós jogamos o nenem, matamos... abrimos a barriga... a boca dele, e daí matamos a criança... (mais adiante) e daí tiramos os órgãos dele, e daí... os dois... o Osvaldo e o De Paula... Eles pegaram... Daí eu fechei o olho, eu não sei aonde... eles ofereceram... eles iam dar a oferenda, mas eu fechei o olho porque não queria ver... eu não gosto de ver sangue. Pergunta - Fale a verdade! Celina - Aí ele ofereceu...Ele fez a oferenda...Aí nós aguardamos dois dias...acho que foi dois dias...Pergunta - Eu vou te ajudar, Celina, com certeza. Porque você está falando a verdade. Continue. Celina - E daí nós levamos essa criança... naquele caminho... e jogamos lá no mato...

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