Curitiba Além da revolta dos presos, a superlotação nas delegacias do Paraná trouxe à tona um outro problema: a disseminação de doenças infecto-contagiosas entre a população carcerária. Em Paranaguá, onde 193 detentos dividem espaço destinado a 20 pessoas, 12 casos de tuberculose foram registrados, de dezembro de 2004 a fevereiro deste ano. Entre os contaminados, um funcionário do setor administrativo.
Segundo o delegado-chefe da 1 Subdivisão Policial de Paranaguá, Valmir Soccio, outros 20 presos, que contraíram o bacilo de Koch (cientificamente chamado Mycobacterium tuberculosis) mas não manifestaram a doença precisaram passar por tratamento. Ontem, outros três casos foram confirmados. Os três detentos, segundo ele, serão transferidos para o Complexo Médico Penal (CMP), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, já que em Paranaguá não há condições de isolá-los. Há suspeita de contaminação em três funcionários. Os presos e servidores estão sendo submetidos a exames.
Soccio disse que a superlotação na delegacia vem se agravando a cada ano. Em 2001, a média era de 101 presos. O número, hoje, é 91% maior. Segundo ele, os detentos precisam se revezar para dormir e foi necessário improvisar uma cela para cinco mulheres. Pelo menos, 34 dos presos já são condenados e 19 deles têm autorização judicial para serem transferidos ao sistema penitenciário.
A diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Paranaguá, Cristina Eneida Rodrigues, afirmou que reduzir a população carcerária seria a alternativa mais adequada para amenizar os riscos de infecção por tuberculose ou outras doenças contagiosas, já que as condições de ventilação e incidência de raios solares são muito precárias.
No entanto, como essa é uma solução inviável, a curto prazo, técnicos da secretaria estão reforçando a vigilância epidemiológica, visitando a delegacia semanalmente. Os presos passam por exames e avaliação clínica.
Segundo Cristina, Paranaguá é considerado município prioritário pelo Ministério da Saúde para as ações de combate à tuberculose. A cidade tem um dos mais altos índices de incidência da doença no País: 80 novos casos por ano para cada 100 mil habitantes.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou, por meio da assessoria de imprensa, que já liberou R$ 8 mil para reformas emergenciais na delegacia. O Departamento de Infra-Estrutura da Polícia Civil já teria um projeto para a construção de uma nova delegacia, em parceria com o município, que doaria o terreno. A prefeitura disse que está revendo os acordos da gestão anterior, mas que tem interesse em ajudar o governo.

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