Confirmado: Lopes vendem a TCGL
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segunda-feira, 31 de março de 1997
Edmara Michetti 
Milton Dória/Arquivo FolhaSALÁRIO É MENORO presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina (Sintrol), Evanildo Pinto Rodrigues, teme mudanças ruins com a venda da TCGL, do empresário Manoel Lopes (v. foto). Segundo ele, a vida útil dos ônibus do Grupo Constantino em Maringá e Belo Horizonte é maior que os da TCGL. O Sintrol compara os salários: enquanto o fixo da TCGL para motorista é de R$ 576,00 por uma jornada de 6 horas diárias, a empresa paga R$ 480,00 por 7h20 diárias em Maringá. Já o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Maringá, Ronaldo José da Silva, afirma que as condições do Grupo Constantino são excelentes, com renovação constante da frota. Na opinião de Silva, o Grupo pode superar a qualidade da Grande Londrina. Sobre a diferença salarial, ele ressalta as condições das duas cidades e cita uma pesquisa da prefeitura local, apontando entre 10% e 15% da população de ciclistas. Tudo influencia nos salários. A tarifa em Maringá também é de R$ 0,60.A empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) deve ser assumida por um novo grupo hoje. A venda da empresa para o Grupo Constantino - até ontem negada pela diretoria da TCGL - é confirmada pela Prefeitura e pelo Sindicato dos Rodoviários de Londrina (Sintrol). Segundo informações extra-oficiais, a transação foi de R$ 60 milhões; R$ 23 milhões já foram pagos.
A Prefeitura, segundo o secretário de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, foi comunicada verbalmente da negociação na quarta-feira pelos próprios diretores da TCGL. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Evanildo Pinto Rodrigues, diz ter conseguiu a confirmação da venda no final da tarde de ontem, através do departamento jurídico da empresa.
A informação foi passada para Rodrigues quando ele procurou a empresa para a modificação de um aditivo do acordo coletivo da categoria. O sindicato marcou uma reunião com os empregados da Grande Londrina para amanhã para discutir a mudança, entre outros assuntos.
O Grupo Constantino atua em várias cidades do País. No Paraná, de acordo com informações do Sintrol, o grupo responde pelo transporte urbano de Maringá e Cascavel e intermunicipal de Santo Antonio da Platina, com a empresa Princesa do Norte. Informações do Sindicato dos Rodoviários de Maringá revelam que o Grupo Constantino tem cerca de 60 empresas de ônibus, com uma frota entre 12 mil e 15 mil veículos circulando também em Campinas-SP, São Paulo, Presidente Prudente-SP e Belo Horizonte. O sócio do grupo que estaria negociando com a TCGL, Pedro Constantino, não foi encontrado pela Folha ontem.
Dois dos quatro sócios da TCGL foram procurados pela Folha ontem. Maria Lopes Kireff, que também dirige a empresa de transportes intermunicipais TIL, disse que é muito boato, muita confusão e que os Irmãos Lopes não tinham nada a declarar. Não existe nada, disse Maria. Manoel Lopes informou, através de sua secretária, que não falaria sobre o assunto. A sociedade é constituída ainda pelos irmãos José Barbosa e Pedro Lopes.
O assessor jurídico da TCGL, Ronaldo Neves, também não foi encontrado. Ontem, ele esteve conversando com o secretário de Negócios Jurídicos. Segundo o secretário, que não passou detalhes da reunião, a conversa incluiu a venda da TCGL. Ferreira afirma que a Prefeitura só vai concordar com a transferência de sociedade da TCGL se houver um pacto que garanta o emprego de todos os funcionários atuais, a qualidade do serviço e o preço da tarifa.
Com a compra da TCGL, os novos donos terão que participar da licitação do serviço, quando isso vier a acontecer. O contrato de permissão da TCGL com a Prefeitura terminou no dia 27 de janeiro. A licitação depende de decisões da Justiça, devido a várias ações em andamento. A última delas, impetrada pela TCGL, pede a prorrogação do contrato por mais 10 anos.
O secretário de Negócios Jurídicos nega a possibilidade de flexibilização do Município com relação à licitação. Só podemos permitir a prorrogação se o Legislativo alterar a lei e, mesmo assim, teremos que averiguar a constitucionalidade do projeto.
Hoje com 1.235 funcionários e uma frota de 285 ônibus, a TCGL começou a operar na Cidade em 1958, com o nome de Viação Urbana Londrinense (VUL) e cinco veículos. Em 65 foram adquiridos 10 novos ônibus. Atualmente, a empresa é responsável por 85% das linhas urbanas.


