O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) encerrou ontem de manhã a fase de depoimentos dos envolvidos na denúncia de adulteração de combustível que resultou na prisão de nove pessoas em Londrina e região no dia 9 deste mês. ''Há indícios concretos, bastante fortes, de que houve manipulação de uma substância que não era o combustível na forma como ele deveria ser comercializado'', afirmou o delegado Alan Flore, responsável pelo inquérito.
O delegado, dois policiais e uma escrivã, ouviram os depoimentos de três acusados a portas fechadas. São dois donos de postos e o motorista que transportou o combustível. Os outros acusados foram ouvidos durante a semana.
Como o prazo para a conclusão do inquérito termina hoje, o delegado disse que a fase de finalização dos trabalhos aconteceria ainda durante o fim de semana. O inquérito será encaminhado amanhã para a Segunda Vara Criminal e para o Ministério Público, que deve oferecer a denúncia.
Os três homens que prestaram depoimentos chegaram à sede do Gaeco na parte traseira de uma Blaser preta, algemados e com as cabeças raspadas. A informação dos advogados é que eles permaneceram algemados durante todo o depoimento que durou exatamente duas horas.
Os depoimentos foram acompanhados por um grupo de seis advogados que preferiram não se manifestar sobre o andamento do inquérito. Alguns disseram que só poderiam falar ''nos próximos dias''.
Várias pessoas das famílias aguardavam os depoimentos. Logo após a conclusão do trabalho da Polícia, os familiares puderam entrar por alguns instantes na sala onde estavam os acusados. O fato de estarem algemados e com os cabelos raspados causou visível indignação nos familiares. Alguns deixaram o local chorando.
A prisão dos acusados aconteceu há nove dias. Entre os presos, estão quatro proprietários de postos de Londrina, Cambé, Arapongas e Marialva. O grupo estava sendo investigado há dois meses. Na mesma operação, a polícia apreendeu um caminhão com cerca de 15 mil litros de combustível adulterado.

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