Confiança é a 'arma' contra golpes nos bolões
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Reunir um grupo de amigos para apostar na loteria é prática comum nos quatro cantos do País. Só que além da sorte, é claro, uma boa dose de confiança é necessária para quem entra em bolões. Até porque nada garante que o dinheiro dos prêmios será distribuído entre os sortudos.
Na semana passada, um caso ocorrido em Limeira, no interior de São Paulo, teve repercussão nacional. Dois participantes de um bolão foram excluídos pelos companheiros do rateio do prêmio da Mega-Sena, acumulado em pouco mais de R$ 16 milhões, por não terem pago a aposta até o dia do sorteio. Mas eles alegam que essa prática seria comum entre os frequentadores do bar Gente Fina, onde costumavam se reunir para jogar.
Para o locutor e programador Herbert Nunes Ceschi, 40 anos, a organização da aposta em grupo é uma questão de confiança. ''Tem que haver uma concordância entre os participantes. No nosso bolão, tem uma lista e anotamos quem pagou e quem não pagou'', afirma. O grupo de funcionários faz as apostas há cinco anos. No ano passado, uma quina rendeu mais de R$ 1 mil para cada apostador.
De acordo com a advogada Rejane Tavares Aragão, da assessoria jurídica do Procon, é difícil existir garantia jurídica de cumprimento da divisão do prêmio. O acordo verbal até pode ter valor numa pendência judicial mas o apostador precisa ser precavido. ''O ideal é ter, no mínimo, um recibo de que pagou a aposta'', recomenda. Outra possibilidade é o registro do acordo em cartório. Os custos, no entanto, inviabilizam a alternativa. Fica mais caro registrar a aposta do que jogar.
Um cuidado importante é guardar o comprovante do jogo em ''local neutro'', como o cofre da empresa. Principalmente porque o cartão oficial é a única garantia de comprovação e pagamento da aposta.
O apostador que não quer fazer o jogo simples pode entrar nos bolões organizados pelas próprias casas lotéricas. Essa é, segundo o presidente da Federação Nacional dos Lotéricos, Aldemar Mascarenhas, a única forma de ter certeza que o prêmio será entregue. A diferença é que cada participante guarda um recibo, que comprova o pagamento da aposta.
''O diferencial é que o dono não vive para ganhar o jogo, mas para vender o produto que é a aposta numa loteria'', argumenta. Por outro lado, o bolão ''informal'' depende quase que exclusivamente da relação de confiança entre os integrantes. ''O bolão na lotérica é mais saudável porque o ser humano é imprevisível. A pessoa pode pegar o dinheiro e até fugir do País.''
A aposta em grupo nas lotéricas, normalmente, custa entre R$ 5,00 e R$ 10,00. E o número de participantes também varia, girando em média em torno de 20 pessoas.
A verdade é que, independentemente dos riscos, a aposta é uma verdadeira mania entre os brasileiros. Não importa a profissão ou classe social. O que motiva a popular ''fezinha'', na opinião do locutor Ceschi, é a vontade de mudar de vida.
''Até gente que já é bem de vida, que já está bem financeiramente, joga com a expectativa de tirar a sorte grande e melhorar ainda mais. As pessoas sempre querem ter um pouco a mais''.


