César AugustoOtimismoO superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian (à esq.), com membros do conselho: 50% dos participantes da conferência que começa amanhã serão representantes dos usuários, ‘o que faz do evento o mais democrático e representativo de todas as conferências já realizadas e garante o sucesso das ações resultantes dela’Prevenção e qualidade de vida são os principais ingredientes das 225 propostas que serão analisadas durante a 5ª Conferência Municipal de Saúde, que começa nesta sexta-feira. Promovida a cada dois anos pelo Conselho Municipal de Saúde, ela vai definir a política municipal de saúde para os próximos dois anos. O evento pretende reunir mais de mil participantes, entre delegados, comunidade organizada e população em geral, nos três dias de debates, na sede do Grêmio Recreativo Londrinense.
Representantes dos usuários do sistema de saúde, trabalhadores, prestadores do serviço (clínicas, hospitais, etc.) e gestores (Autarquia de Saúde e Secretaria Estadual de Saúde) realizaram várias reuniões e pré-conferências em suas bases para definir as propostas a ser debatidas durante o encontro. Só os usuários vão apresentar 99 propostas levantadas em reuniões locais nos bairros e regionais. Os trabalhadores nos serviços de saúde vão apresentar 86 propostas; os prestadores de serviços, 44 e os gestores, 16.
Ao todo, 320 delegados, representantes dos quatro grupos vão definir as prioridades para os anos de 98 e 99 - 50% deles são representantes dos usuários. ‘‘Isto faz desta conferência a mais democrática e representativa de todas já realizadas. E garante o sucesso das ações resultantes dela’’, afirmou o superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian.
O reflexo da mobilização da comunidade organizada, disse, fica evidente na definição do tema da Conferência deste ano: ‘‘Londrina Cidade Saudável’’. Segundo Bedrossian, as propostas deixaram de abordar a simples cura das doenças e a estrutura física dos serviços para priorizar a prevenção e a qualidade de vida da população.
Ele acredita que a linha das propostas mostra o início de uma consciência comum de que não basta investir em equipamentos e estruturas para tratamento e cura. ‘‘É preciso evitar que as pessoas fiquem doentes e, para tanto, é preciso um trabalho pluralista, envolvendo todos os setores da comunidade.’’ Dentro desta perspectiva, a 5ª Conferência vai discutir desde saneamento básico e lazer até a implantação de campanhas eficazes de prevenção precoce das doenças.
Os usuários querem investimento na capacitação dos funcionários e presença de atendimento especializado nas unidades básicas. ‘‘Não podemos nos iludir sobre a qualidade do atendimento. Mas entendemos que, muitas vezes, o mau atendimento é resultado da falta de capacitação’’, argumentou Rosemari Friedman Angeli, representante dos usuários na comissão organizadora do evento.
Os usuários voltam a defender a mudança na composição do Conselho Municipal da Saúde, para garantir a paridade de número de representantes. A luta pela ‘‘paridade’’ vem desde 93. Cada grupo tem direito a quatro membros efetivos e quatro suplentes; mas os usuários só têm três representantes.
Já os prestadores do serviço (cerca de 50 estabelecimentos) querem uma campanha educativa e de esclarecimento sobre quando e quais os serviços que a população deve procurar em caso de necessidade. Antônio Carlos Ribeiro, representante dos prestadores de serviço explica que a falta de informação é a principal culpada pela superlotação dos hospitais. ‘‘A maioria das pessoas não passa pelo posto de saúde, indo direto ao serviço terciário (hospitais). O resultado é a sobrecarga do sistema que acaba deixando de atender os verdadeiramente necessitados.’’
O aumento do teto financeiro para Londrina é uma reivindicação comum entre prestadores do serviço e trabalhadores do sistema de saúde. Vera Lúcia Alves de Lima, representante dos trabalhadores, aposta na implantação da gestão plena da saúde, prevista para 98. ‘‘Vamos ter mais elasticidade na negociação dos valores dos serviços e, com uma remuneração melhor, melhora também a qualidade do atendimento.’’

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