Conferência ambiental começa hoje
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quinta-feira, 07 de junho de 2001
Célia Guerra De Londrina 
A falta de uma urbanização planejada, o desmatamento, a presença de grandes áreas impermeabilizadas pelo asfalto e calçadas são, na opinião do presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) de Londrina, Luiz Eduardo Cheida, fatores que contribuem para tornar o clima como o principal problema ambiental da cidade. As medidas de controle que estão sendo elaboradas pela autarquia começam pela criação de uma equipe de pesquisa para identificar as causas dessa poluição atmosférica e as técnicas de controle. Mas a grande expectativa são as diretrizes e as políticas ambientais que devem ser traçadas durante a I Conferência Municipal do Meio Ambiente, que começa hoje e vai até domingo, na Câmara de Londrina (leia progrmação nesta página).
Outro plano já em elaboração é o de arborização da cidade. Estão previstas a criação de massas de árvores e a construção de lagos na região norte da cidade para promover um equilíbrio do clima em conjunto com a Mata dos Godoy e o Lago Igapó. Essas medidas estão previstas desde 1995, quando foi criado o plano diretor, baseado numa pesquisa realizada anteriormente por professores do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo Cheida, ilhas de calor intenso que se formam na região central, onde há a concentração de prédios e temperaturas mais amenas a algumas quadras à frente, trazem prejuízos cumulativos à saúde das pessoas, além de impedirem a dispersão dos poluentes emitidos pelos carros e fábricas. Ele (o clima) age de forma imperceptível, mas os efeitos são de díficil solução, avalia.
O ar quente, comum no verão, explica o presidente da AMA, tende a subir, deixando em seu lugar uma espécie de vácuo, que é ocupado pelo ar frio que vem do campo. Muitas vezes a velocidade dessa ocupação é intensa, provocando os vendavais. Só este ano sofremos três vendavais que trouxeram prejuízos à população, destaca. No inverno, continua Cheida, a movimentação do ar frio é inversa, vem de cima para baixo, concentrando na atmosfera os poluentes. O resultado são os problemas respiratórios, comuns nesse período.
Cheida disse ainda que é necessária a participação da população com uma mudança de comportamento. Ele cita a necessidade de espaços verdes nas casas, como os pequenos jardins. Sugere que as calçadas sejam feitas apenas no local das passadeiras com grama e plantas ocupando o resto do espaço. Na opinião dele, o mais indicado para as ruas são os paralelepípedos, que deixam espaços para a absorção das águas das chuvas. É preciso ter um pensamento coletivo e menos individualista, afirma.
A professora de climatologia do Departamento de Geociências da UEL, Deise Fabiana Ely, discorda do presidente da AMA. Para ela, o principal problema ambiental está na condição social de uma parcela da população e os espaços ocupados por ela. No início, a ocupação se concentrava nas áreas elevadas, hoje já se exploram os fundos de vale, critica.
As variações climáticas, segundo Deise, são chamadas de clima urbano. As ilhas de calor, como explica, resultam da captação da radiação solar, feitas pelo asfaltamento das ruas e o concreto das edificações. O clima da cidade, por isso, tende ao aquecimento. Mas as temperaturas elevadas também ocorrem no campo, principalmente nos períodos em que as terras estão descobertas. A terra roxa tem alto poder de captação da radiação solar. Ela concorda com a inexistência de um projeto adequado de arborização e completa dizendo que nos bairros, as áreas das casas são pequenas e quase sempre ocupadas pelas calçadas. Deise comenta que nos bairros de classe alta, onde as casas ocupam áreas maiores e são cercadas por jardins, a temperatura é mais agradável.
Os vendavais, explica a professora, são provocados pelo choque de massas de ar tropicais (comuns no verão) e as polares (comuns no inverno). Londrina está numa região de transição entre os climas tropical e subtropical, o que torna comum esses efeitos. Os vendavais sempre ocorreram, mas antes as florestas sofriam os efeitos. Hoje, como elas não existem, são nas casas de má qualidade que eles se mostram.
O principal prejuízo da impermeabilização das ruas, para Deise, está no mecanismo das águas dos rios, que estão cada vez mais baixos, pois as nascentes em sua maioria estão nas cidades. Investir na qualidade de vida da população, segundo ela, garante maiores benefícios.


