A Cooperativa Central Agroindustrial Ltda. (Confepar), de Londrina, recebeu um terceiro lote de óleo tipo BPF3A (específico para caldeiras) sem condições de ser utilizado por causa da sujeira. Segundo o gerente administrativo e financeiro, o lote foi entregue no sábado de manhã por uma segunda intermediária, a Gasoil, e teve de ser rejeitado. Segundo o gerente administrativo e financeiro da Confepar, Paulo Roberto Martins Pereira, o lacre do caminhão foi aberto com a supervisão de funcionários da cooperativa.
Na sexta-feira, 26 mil quilos de óleo foram entregues à Confepar com vários tipos de impurezas como mato, pedaços de madeira e até caramujos e não pôde ser utilizado. Um pedido de emergência foi feito à Gasoil para que a caldeira não tivesse seu funcionamento interrompido. ‘‘Quando chegou o óleo, no sábado, fizemos um teste e foi constatado que também estava impróprio’’, afirmou Pereira.
No sábado anterior, um outro lote de óleo – que foi entregue pela distribuidora Shell e pela intermediária WT – causou entupimento na caldeira. A produção de leite teve que ser interrompida por 12 horas, deixando de processar 400 mil litros, o que representou um prejuízo em torno de R$ 350 mil.
Segundo um representante da Gasoil, que preferiu não se identificar, é impossível que a contaminação do óleo tenha ocorrido fora das dependências da Petrobrás, na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba. Segundo ele, as intermediárias compram o óleo das distribuidoras como a Shell, Ipiranga, Texaco, Esso e BR porque a Petrobrás não comercializa em pequenas quantidades. ‘‘Então, quando temos encomenda do BPF3A, compramos das distribuidoras mas o óleo é diretamente carregado nos tanques dentro da Repar’’, afirmou.
Segundo ele, o BPF3A não pode ser estocado porque, por suas características, tem que ser mantido aquecido. ‘‘Se nem o pool de Araucária tem o óleo em estoque, nós iríamos tê-lo?’’, questionou, se referindo à justificativa apresentada pela assessoria de imprensa da Repar, de que os detritos seriam obra de ‘‘pessoas de má-f钒. Os dois lotes, entregues na sexta e no sábado, vieram de uma mesma distribuidora.
A Repar descartou a possibilidade de que o óleo com detritos recebido pela Confepar, tenham saído diretamente da refinaria em Araucária. De acordo com o gerente comercial da Repar, Guilherme Klingerlfus, a empresa só comercializa esse tipo de derivado com quatro clientes: BR, Texaco, Shell e Ipiranga, não tendo qualquer vínculo com intermediários.
A Repar tem capacidade de armazenamento de 100 mil toneladas de óleo e comercializa cerca de mil toneladas por dia. ‘‘Temos um controle rigoroso de qualidade do material que sai da empresa e não há registro de reclamações dos nossos clientes’’, enfatizou Guilherme. Ele explica que a refinaria tem dois sistemas rigorosos de filtragem e qualquer impureza acarretaria em danos para o equipamento. ‘‘Seria um erro grosseiro processar um produto com essas características’’, opinou.
A Confepar chegou a levantar a hipótese que o produto adquirido seria remanescente do acidente ecológico registrado em julho, quando 4 milhões de litros de petróleo vazaram para os rios Barigui e Iguaçu. O gerente comercial da Repar descartou a possibilidade por serem produtos diferentes. ‘‘O óleo do acidente era petróleo e o adquirido pela Confepar é combustível’’, explicou. Ele enfatizou ainda que o óleo que vazou no maior acidente ecológico registrado no Paraná já foi processado e comercializado como matéria-prima.
Guilherme não descartou, porém, a possibilidade dos lotes de óleo com impurezas terem sido adquiridos em um dos quatro clientes da Repar. A refinaria não lacra o produto antes de vendê-lo e, segundo o gerente comercial da Repar, cabe à revendedora colocar o lacre de segurança no produto. É o caso da Shell do Brasil, que adquire o produto com a Repar. A Shell retira os caminhões carregados da Repar e revende diretamente para os clientes.

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