A Cooperativa Central Agroindustrial Ltda. (Confepar), de Londrina, quer saber quem é o responsável por dois lotes, com 26 mil quilos cada, de óleo tipo PPF3A (específico para caldeira) que recebeu na última semana. Os lotes estavam com vários tipos de sujeira como mato, pedaços de madeira e até caramujos que causaram entupimento na caldeira, interrompendo a produção e causando prejuízos à empresa. Ontem à tarde, o gerente administrativo e financeiro da Confepar, Paulo Roberto Martins Pereira, chamou a Folha para comprovar a sujeira no segundo lote, recém-recebido.
Segundo Pereira, a cooperativa comprou os dois lotes de óleo da Petrobras, na Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, através de uma intermediária, a WT Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. ‘‘Os caminhões da intermediária chegaram aqui com o lacre da Petrobras, que nós verificamos’’, afirmou. Para ele, o óleo que recebeu só pode ser o mesmo que vazou nos rios Barigui e Iguaçu, em julho deste ano, no maior acidente ecológico já registrado no Paraná. ‘‘É a única possibilidade. Isso daqui, para mim, parece sujeira de rio’’, apontou.
Segundo o gerente industrial da Confepar, Rodrigo Vidal, no último sábado a caldeira apresentou problemas e a produção teve que ser interrompida por 12 horas. ‘‘Ela estava entupida com um monte de sujeira. Fizemos uma vistoria em toda a linha de produção e comprovamos que o tanque estava sujo, com um monte de matéria orgânica’’, contou. Segundo ele, a empresa intermediária foi acionada e fez a limpeza nos tanques. ‘‘Encomendamos outro lote e, por sorte, resolvemos peneirar antes de colocar nos tanques. O resultado é esse, mais sujeira’’, disse.
O processo foi acompanhado por um representante da WT Derivados de Petróleo, que preferiu não se identificar. De acordo com ele, o caminhão-tanque saiu direto da Repar para Londrina. ‘‘Eu nunca tinha visto algo assim, antes’’, afirmou.
O gerente administrativo disse que, só com a interrupção de sábado, a cooperativa teve um prejuízo estimado em R$ 350 mil, deixando de processar 400 mil litros de leite. ‘‘Hoje (ontem), já não processamos mais 300 mil litros. Nós vamos verificar os responsáveis e solicitar, judicialmente se for preciso, o ressarcimento dos prejuízos’’, afirmou.
A assessoria de imprensa da Repar informou que o óleo recolhido do acidente passa por um rigoroso processo de refinação, eliminando qualquer tipo de impureza. Sobre o óleo encontrado em Londrina, que teria saído de Araucária, a Repar acredita que existem pessoas de má-fé querendo se aproveitar do vazamento na refinaria para descartar e repassar um produto de qualidade questionável que poderia estar encalhado.

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