Confepar é autuada por despejo irregular
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
O Instituto Ambiental do Paraná autuou ontem a Cooperativa Central Agro-Industrial Ltda (Confepar) por despejo irregular de detritos no Córrego da Mata. O leito d'água desemboca no Córrego Cambezinho, um dos formadores do lago Igapó 4, na Zona Oeste de Londrina.
O problema foi identificado por acaso, por quatro ativistas da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE). Eles encontraram ontem de manhã dois lançamentos irregulares em uma galeria pluvial na mata de preservação permanente localizada nos fundos da cooperativa. Pelas tubulações onde deveria passar apenas água da chuva escorria uma água esbranquiçada e quente, e outra de coloração escura - ambas mal-cheirosas.
''Nós tínhamos nos dirigido à área próxima ao Cambezinho para um levantamento de aves/fauna, e notamos que o ribeirão estava com uma coloração alterada e com espuma. Procuramos a origem dessa poluição e constatamos que vinha da Confepar'', narrou Carlos Eduardo Levy, voluntário da ONG. Segundo Levy, no ano passado a entidade já havia flagrado o mesmo problema em uma visita ao local, há aproximadamente um ano. ''Além disso, os moradores das redondezas reclamam do mal-cheiro constante'', complementou.
Segundo Nelson Santos Pereira, engenheiro químico do IAP, há suspeitas de que resíduos de leite e de esgoto estejam presentes no líquido, que se misturava à água de duas nascentes alguns metros à frente. ''A primeira medida é fazer cessar esse lançamento irregular. O IAP vai efetuar a coleta de material para avaliar o impacto ao meio ambiente, e só de posse dos resultados poderemos avaliar as penalidades a serem impostas '' afirmou o secretário do Ambiente, Gérson da Silva.
''Há o impacto do processo erosivo, pela utilização irregular de uma galeria pluvial no alto da mata, além de todas as consequências ambientais que vão ser estudadas a partir de agora'', informou João Batista Souza, da entidade ambientalista Patrulha das Águas.
Em reunião realizada ainda na manhã de ontem entre membros do IAP, da Secretaria Municipal do Ambiente e da Confepar, a cooperativa se comprometeu a bombear a água para outra tubulação e lacrar a boca de lobo. ''Também ficamos surpresos com a notícia. Nós investimos R$ 1,5 milhão em tratamento de efluentes e com uma estrutura desse porte não temos por que recorrer a uma rede clandestina'', justificou Algacir Fernando Bertoti, gerente industrial da Confepar. Para ele, o problema pode ter sido causado pelo rompimento de alguma tubulação interna. ''Estamos trabalhando para que o impacto ambiental seja o menor possível. Mas acredito que esse problema esteja ocorrendo há no máximo dois ou três dias, porque fazemos monitoramento constante.''
A empresa também ficou responsável por encontrar uma forma de identificar a origem do problema e resolvê-lo. ''Pode ser que o vazamento de esgoto sanitário tenha sido acidental. Os resíduos industriais, inicialmente, também não parecem ter sido resultado de dolo. Mas acredito que houve negligência da empresa. Havia um sistema de bombeamento próximo à caixa de esgoto, o que pode significar que a empresa já tinha conhecimento do problema'', avaliou Pereira.
Segundo o engenheiro do IAP, o fato de a empresa ser reincidente pode resultar em duplicação ou mesmo triplicação da multa. Em setembro de 2000, a Confepar foi multada em R$ 25 mil e, pela reincidência, em mais R$ 80 mil pelo lançamento de resíduos industriais no mesmo córrego. Dois anos antes, a Confepar já havia sido chamada para um acordo na Promotoria de Defesa do Meio Ambiente por poluir as águas do Ribeirão Cambezinho.


