Conectados em qualquer idade
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segunda-feira, 06 de maio de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Em um dos espaços do Centro Comercial, em Londrina, o barbeiro Ayres Félix Rodrigues, de 77 anos, passa a manhã e a tarde ajudando o filho Eston, de 51 anos, com os cortes de cabelo. Entre um cliente e outro, Ayres aproveita para acompanhar as notícias do dia, ler um livro, aprender algumas receitas e até escutar uma boa música.
Tudo isso não seria novidade se o acesso a todo esse conteúdo não fosse através de um tablet (dispositivo pessoal para acesso à internet), adquirido por ele no ano passado. Habilidoso na tela touch screen, Ayres ainda demonstra intimidade com os aplicativos e navegadores e admite não abrir mão do recurso tecnológico.
"Tudo que preciso pesquisar ou encontrar faço pela internet. Tem tudo e é mais fácil e rápido", diz o idoso, ao mostrar o periférico que não sai da bolsa. "É uma ferramenta fantástica, mas se for mal usada pode ser prejudicial, principalmente em redes sociais", observa.
Movido pela curiosidade, Ayres fez apenas um curso durante dois meses, no início dos anos 90. E para motivar o neto a estudar, se inscreveu junto em uma escola de informática. "Eu tinha que aprender alguma coisa e naquela época achei importante saber usar o teclado, digitar mesmo. Hoje, quando surge alguma dúvida, pergunto aos meus netos, mas tudo que aprendi foi basicamente sozinho", diz.
Nascido em Santa Mariana (Norte), Ayres mudou-se para Londrina aos 4 anos, com a família. Naquela época, o pai abriu uma barbearia na Vila Casoni (Região Central), onde ele aprendeu a profissão. Preocupado sempre em se manter atualizado, Ayres lembra quando adquiriu o primeiro computador, em 1985. "Depois comprei um notebook, que utilizo em casa, mas o tablet é mais usado que meu próprio celular", comenta o barbeiro, que também planeja todo o orçamento familiar em uma planilha do Excel.
Para Ayres, quem não usa internet hoje em dia "é praticamente um analfabeto. Tenho e-mail e um perfil no Facebook. Acho que é preciso aproveitar essas ferramentas que permitem manter contato com familiares e amigos distantes. Gosto muito de livros religiosos e encontro tudo que quero em poucos segundos. Meu dia sempre começa com o tablet. Vejo todas as notícias e ainda, nas horas de lazer, brinco com alguns jogos", conta, aos risos.
Aumento
Apesar de Ayres não ter amigos da mesma idade que sejam tão conectados como ele, a população idosa no país tem se interessado mais pelas novas tecnologias. Dados do Target Group Index, do IBOPE Media, mostram que o número de usuários idosos aumentou nos últimos anos. Comparando o mês de janeiro deste ano com o ano passado foi registrado um aumento de 8,3%. Ainda segundo a pesquisa, apesar de 52% das pessoas entre 65 e 75 anos afirmarem se confundir com os computadores, 28% revelaram estar atualizados com os avanços tecnológicos.
De acordo com o geriatra Fábio Garani, de Londrina, aprender a manusear um computador e navegar na internet é essencial para os idosos, em todos os aspectos. "O fato deles se manterem conectados melhora não só a memória, mas também a cognição. Nenhuma pessoa é incapaz de mexer no computador. A diferença quando se trata de idosos é que eles têm um tempo diferente até se adaptarem ao mouse e ao funcionamento do sistema. Para eles, usar o computador é descobrir uma ferramenta de conectividade, interação e até planejamento, pois eles podem conhecer outros lugares e pessoas e até organizar a aposentadoria", completa.


