Conduzindo Miss Daisy
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Paciência, atenção, carinho são ingredientes que sobram na personalidade da jornalista Elisabeth Lopes Pereira. Talvez por isso ela se dê tão bem na nova profissão, que adotou depois de trabalhar por 14 anos como analista de sistemas: ela presta serviços de transporte e acompanhamento para pessoas da terceira idade, em Londrina.
''Foi uma surpresa, não sabia que era tão bom lidar com pessoas nesta faixa etária. Eles têm muito a ensinar e a gente absorve muita coisa'', comentou Beth. Com a agenda lotada - são cerca de dez atendimentos por dia -, Beth encontrou na psicóloga Léa Fabris uma companheira para dividir a função. Juntas elas estão criando uma empresa especializada no transporte de idosos.
E os destinos são os mais variados, desde idas a consultórios médicos e clínicas de fisioterapia, até aulas de hidroginástica, artesanato, casas de amigas, supermercados e feiras. ''Elas precisam de alguém para empurrar o carrinho, carregar as compras, e eu presto este serviço'', contou a motorista, que em casos particulares costuma entrar no consultório para ouvir o diagnóstico médico a pedido dos familiares.
A idéia de começar o novo negócio partiu da necessidade do pai de Beth, que sofre do Mal de Alzheimer. ''Quando tinha um emprego fixo não tinha tempo para cuidar dele, então resolvi criar este serviço para atender também a minha família'', justificou.
Léa também conheceu os serviços de Beth por necessidade: a mãe dela ainda conta com a motorista para realizar algumas tarefas, ocasionalmente. ''Minha vontade é passar mais tempo com a minha mãe, por isso resolvi trabalhar por conta para fazer meu próprio horário'', declarou Léa.
Para Beth, transportar idosos não é um trabalho como de qualquer outro motorista. ''A preocupação com o conforto e a segurança dos passageiros é constante. É preciso ter paciência, dar atenção às senhoras, que adoram conversar'', reforçou. O reconhecimento também é imediato. ''Sou recebida com sorrisos, abraços, uma senhora até já me disse que fui a salvação da vida dela'', assinalou.
Maria Colado Peruzin, 81, moradora do Vale San Fernando (Zona Sul), faz fisioterapia numa clínica no Jardim Bela Suiça (Zona Sul) três vezes por semana e conta com a ex-analista de sistemas para levá-la. ''Conheci a Beth na própria clínica e a contratei há cinco meses. Ela é fora de série'', descreveu a aposentada, que tem dificuldade de locomoção. ''Se não tivesse a Beth, dependeria dos meus filhos, que não têm tempo, porque meu marido tem idade e não dirige mais.''
Ana Berthi Mendonça, prestes a completar 90 anos, vive sozinha em Londrina. Como os filhos trabalham, recentemente ela começou a utilizar o serviço de Léa para ir ao médico, ao laboratório realizar exames médicos e às aulas de pintura. Ana definiu o transporte como ''ótimo''. ''Ela é carinhosa, querida, abre a porta do carro, pega a gente pela mão. Ela nasceu para trabalhar com isso, é autêntica, bacana mesmo'', elogiou.


