Ao mesmo tempo em que existem os que dirigem sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) há quem tenha o documento, mas não dirige.
A funcionária pública Clarisse Vanzo, de 52 anos, tirou carteira há dois anos e não dirigia porque tinha pânico de enfrentar determinadas situações. ''Eu morria de medo de esfolar o carro do meu marido'', comenta.
Ela diz que a autoescola lhe ensinou apenas como passar no teste do Detran, mas não como enfrentar o trânsito do dia a dia. ''Não sei se é porque a gente fica apreensiva para ser aprovada, mas eu ficava muito nervosa nas aulas'', relembra.
Clarisse procurou um treinamento de direção para pessoas habilitadas para aprender a enfrentar a insegurança, pois era frustrante não conseguir sequer tirar o carro da garagem. ''Eu não tinha liberdade para ir aos lugares sem ter que importunar o marido e eu precisava ser independente'', conta.
A empresária Risocleide Pereira, 31, morava em Foz do Iguaçu quando tirou a CNH. Ela utilizou a carteira por dois meses em sua cidade natal, quando resolveu se mudar para Londrina. ''Desde que cheguei aqui, morri de medo de dirigir e só fui pegar o carro depois que fui renovar a carteira, quando meu marido me matriculou em um centro para pessoas habilitadas'', relata.
Ela conta que ao chegar em Londrina se mudou para um prédio em que a garagem possuía uma rampa em curva. ''Não conseguia fazer a rampa nem amarrada'', relembra. Outro episódio que vivenciou foi deixar seu carro morrer em pleno centro. ''Eu não conseguia sair do lugar'', comenta.
Hoje, depois de terem frequentado o treinamento para pessoas habilitadas, as duas motoristas dirigem tranquilamente sem precisar de ninguém ao lado. (V.O.)

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