Condôminos vão processar construtora
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sexta-feira, 30 de abril de 1999
Lucinéia Parra 
Condôminos do Edifício Vale Verde, localizado no Jardim Universitário, em Maringá, entraram com representação na subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) contra a Construtora Paranoá Ltda, de propriedade de Walber Guimarães Júnior. Os 14 condôminos acusam a construtora de estelionato. Eles afirmam que já pagaram os apartamentos - apenas dois não quitaram porque suspenderam o pagamento das últimas prestações - para a construtora e mesmo assim estão sendo convocados pelo Banestado para renegociar a dívida, sob pena de serem despejados dos imóveis.
De acordo com o médico José Sebastião de Souza Filho, 50 anos, a maioria dos condôminos quitou os apartamentos dando uma entrada e parcelando a dívida em 36 meses. Muitos moradores, segundo Souza Filho, chegaram a pagar as primeiras prestações ao Banestado, mas depois, por uma determinação da empresa, passaram a fazer o pagamento mensal diretamente com a construtora. No final do ano passado, entretanto, o Banestado enviou correspondência aos condôminos convocando todos para renegociação da dívida. Conforme o banco, cada condômino tem ainda uma dívida de R$ 16,5 mil referente aos imóveis de um quarto, e R$ 30 mil dos apartamentos com três quartos.
Fiquei surpreso quando recebi a correspondência porque já quitei o apartamento, diz Souza Filho. Ele afirma que pagou o imóvel de três quartos há quase três anos, dando uma entrada de R$ 20 mil e o restante parcelado em 36 meses. Já paguei R$ 47 mil pelo apartamento, e agora o Banestado quer mais R$ 30 mil. Isso é absurdo, desabafou. No apartamento comprado por Souza Filho, mora o filho dele que estuda na Universidade Estadual de Maringá (UEM).
O médico disse que vai entrar com uma ação contra a construtora por estelionato. A construtora recebeu de todos os condôminos, mas não pagou o financiamento ao Banco, o que quer dizer que ela usou o nosso dinheiro para outros fins.
A ordem de despejo é assegurada ao Banestado porque o banco ganhou ação que movia contra a Construtora Paranoá desde janeiro de 1997. Em acordo realizado entre as duas partes, na 6ª Vara Cível de Maringá, em setembro do ano passado, a construtora entregou os apartamentos como pagamento da dívida.
O síndico do edifício Paulo Adriano Vieira, 26, também está revoltado. Ele mostrou à Folha os recibos de todos os pagamentos feitos à construtora. O que eu fico mais indignado é que não sabíamos deste processo do Banestado contra a Construtora Paranoá porque o banco, em nenhum momento, procurou os condôminos para receber as prestações atrasadas, disse. Ele acusa a construtora de continuar recebendo dos condôminos mesmo depois do acordo que com o Banestado. Tem um morador que pagou a prestação do apartamento em outubro do ano passado para a construtora, ou seja, depois que ela havia entregado o imóvel para o Banestado, denunciou.
No Fórum de Maringá tramitam 34 processos contra a Construtora Paranoá. A maioria das ações foi impetrada em 1996, 1997 e 1998. Para terça-feira está marcada uma audiência na 6ª Vara Cível entre representantes do Banestado, da Construtora Paranoá e os condôminos do Edifício Vale Verde. O proprietário da construtora, Walber Guimarães Júnior foi procurado pela Folha em sua empresa, na casa dele e através do telefone celular. Ontem, o advogado Robert Hoth disse que Guimarães Júnior não tem nada a declarar até a audiência de terça-feira.


