Em 2001, os proprietários de imóveis no Condomínio Lago D'oro, na área central de Londrina, decidiram perfurar um poço artesiano. O objetivo era baixar o custo da água para os moradores. Pagaram, na época, R$ 15,7 mil pela obra, incluindo o equipamento de extração de água. Depois de usufruir quase um ano da água fornecida pelo Aquífero Serra Geral, eles decidiram, fechar o poço.
Após receberam várias análises requisitadas ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), pesou na decisão dos condôminos o risco à saúde. ''Os exames apontavam para uma concentração de nitrito e nitrato acima do recomendável. Começamos a perceber que as portas de vidro dos boxes dos banheiros, assim como as pias e torneiras, começaram a ficar impregnadas com uma camada branca e áspera, e ficamos imaginando o que estas susbstâncias poderiam causar no nosso organismo'', conta a moradora Luzia Matsui Yamashita, na época síndica do condomínio.
Segundo Luzia, a mesma empresa contratada para perfurar o poço, a Geopoços, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), foi responsável pelo serviço em outro prédio, a poucos quarteirões dali, que já havia tido problemas com a concentração de nitrato e nitrito. ''Os moradores de lá foram orientados a misturar a água do poço com a da Sanepar, como forma de amenizar o problema, mas nós chegamos à conclusão de que não seria totalmente seguro.'' Luzia acha que a empresa deveria ter alertado os condôminos para esta possibilidade. ''Achei uma responsabilidade eles não nos avisarem que aqui perto já tinha ocorrido o problema.''
O geólogo Milton Radigonda, responsável técnico da Geopoços, confirma que em alguns poços é indicada a mistura de parte da água da Sanepar para torná-la potável. ''O cloro presente na água tratada é capaz de neutralizar o nitrito'', explica. O percentual a ser misturado, segundo Radigonda, deve ser definido pelo IAP. (S.L.)

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