Para fugir dos altos custos das contas de água, dezenas de condomínios em Londrina vêm, há alguns anos, investindo em poços artesianos. É comum encontrar no centro da cidade prédios abastecidos por fontes próprias. A maioria, porém, está funcionando de forma irregular e pode colocar em risco a qualidade e quantidade da água, conforme alerta a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), que regulamenta e dá permissão para todos os tipos de uso de água no Paraná.
A Suderhsa estima que, em Londrina, existam cerca de 400 poços artesianos na zona urbana. Destes, apenas 100 possuem a outorga para o uso da água. ‘‘O restante está na clandestinidade e põe em risco os aquíferos da região’’, afirma Noberto Ramon, chefe do Departamento de Gestão de Recursos Hídricos da Suderhsa.
Segundo Ramon, antes de perfurar um poço é preciso pedir anuência prévia à Suderhsa e, junto à solicitação, apresentar um projeto detalhado do poço, um mapa de localização e a anotação de um geólogo – o responsável técnico pela obra – ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea).
A anuência prévia em mãos, porém, não é garantia que será concedida a outorga da água. Segundo Ramon, a superintendência vai analisar três aspectos antes de concedê-la: se o poço é produtivo; se a vazão possível atende às necessidades dos usuários; e se a vazão não atrapalha o uso de outros poços já outorgados. ‘‘A água, como bem público, precisa ser administrada de forma equitativa e justa.’’
Ele avalia que muitos não fazem a regularização dos poços porque há uma série de exigências e consequente custo. ‘‘Para começar, exigimos a análise química, física e bacteriológica; a instalação de um hidrômetro e um aparelho de nível pisométrico – que verifica a profundidade e capacidade do poço. Também é exigência que se faça a separação dos encanamentos da Sanepar’’, observa. A taxa de solicitação de outorga é um dos menores valores envolvidos: custa R$ 97,53. Mas deve ser renovada a cada cinco anos.
Ramon admite que a fiscalização dos poços artesianos em Londrina é falha, por falta de um escritório da Suderhsa na cidade. ‘‘Mas estamos planejando um trabalho de notificação para breve. Todos os usuários serão visitados para a regularização dos poços.’’
Segundo o gerente metropolitano da Sanepar Paulo Kishima, o aumento no número de poços prejudica a receita da empresa, principalmente porque são grandes consumidores que buscam a alternativa. Porém, ele afirma que o prejuízo não é significativo, já que a maioria não corta totalmente a água fornecida pela Sanepar. ‘‘A maioria continua pagando a taxa mínima e o esgoto é cobrado normalmente, seja por medição no poço ou pela média anterior à sua instalação.’’
O problema maior, para o gerente, é a qualidade da água. ‘‘A Sanepar faz exames bacteriológicos mensais e, a cada seis meses, um exame químico, físico e cromotográfico (para verificar se existe a presença de componentes de pesticidas, por exemplo, na água). Isso garante que os consumidores recebem água de excelente qualidade. A maioria dos consumidores de poços artesianos não tem este cuidado’’, afirma.
Para Kishima, a possível economia que um poço artesiano proporcionaria a um condomínio não é tão significativa. ‘‘Só os cuidados constantes que teriam que ser tomados, com exames, manutenção e limpezas dos poços, consomem a pequena economia feita.’’

mockup