Condomínios fogem de tarifas altas com os poços artesianos
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de setembro de 2000
Telma Elorza De Londrina 
Para fugir dos altos custos das contas de água, dezenas de condomínios em Londrina vêm, há alguns anos, investindo em poços artesianos. É comum encontrar no centro da cidade prédios abastecidos por fontes próprias. A maioria, porém, está funcionando de forma irregular e pode colocar em risco a qualidade e quantidade da água, conforme alerta a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), que regulamenta e dá permissão para todos os tipos de uso de água no Paraná.
A Suderhsa estima que, em Londrina, existam cerca de 400 poços artesianos na zona urbana. Destes, apenas 100 possuem a outorga para o uso da água. O restante está na clandestinidade e põe em risco os aquíferos da região, afirma Noberto Ramon, chefe do Departamento de Gestão de Recursos Hídricos da Suderhsa.
Segundo Ramon, antes de perfurar um poço é preciso pedir anuência prévia à Suderhsa e, junto à solicitação, apresentar um projeto detalhado do poço, um mapa de localização e a anotação de um geólogo o responsável técnico pela obra ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea).
A anuência prévia em mãos, porém, não é garantia que será concedida a outorga da água. Segundo Ramon, a superintendência vai analisar três aspectos antes de concedê-la: se o poço é produtivo; se a vazão possível atende às necessidades dos usuários; e se a vazão não atrapalha o uso de outros poços já outorgados. A água, como bem público, precisa ser administrada de forma equitativa e justa.
Ele avalia que muitos não fazem a regularização dos poços porque há uma série de exigências e consequente custo. Para começar, exigimos a análise química, física e bacteriológica; a instalação de um hidrômetro e um aparelho de nível pisométrico que verifica a profundidade e capacidade do poço. Também é exigência que se faça a separação dos encanamentos da Sanepar, observa. A taxa de solicitação de outorga é um dos menores valores envolvidos: custa R$ 97,53. Mas deve ser renovada a cada cinco anos.
Ramon admite que a fiscalização dos poços artesianos em Londrina é falha, por falta de um escritório da Suderhsa na cidade. Mas estamos planejando um trabalho de notificação para breve. Todos os usuários serão visitados para a regularização dos poços.
Segundo o gerente metropolitano da Sanepar Paulo Kishima, o aumento no número de poços prejudica a receita da empresa, principalmente porque são grandes consumidores que buscam a alternativa. Porém, ele afirma que o prejuízo não é significativo, já que a maioria não corta totalmente a água fornecida pela Sanepar. A maioria continua pagando a taxa mínima e o esgoto é cobrado normalmente, seja por medição no poço ou pela média anterior à sua instalação.
O problema maior, para o gerente, é a qualidade da água. A Sanepar faz exames bacteriológicos mensais e, a cada seis meses, um exame químico, físico e cromotográfico (para verificar se existe a presença de componentes de pesticidas, por exemplo, na água). Isso garante que os consumidores recebem água de excelente qualidade. A maioria dos consumidores de poços artesianos não tem este cuidado, afirma.
Para Kishima, a possível economia que um poço artesiano proporcionaria a um condomínio não é tão significativa. Só os cuidados constantes que teriam que ser tomados, com exames, manutenção e limpezas dos poços, consomem a pequena economia feita.


