Condomínios comerciais e residenciais de Londrina estão vendendo o lixo reciclável que produzem com o intuito de arrecadar fundos para manutenção dos prédios. A medida, embora permitida pela lei, tem prejudicado o funcionamento do sistema de coleta seletiva da cidade. O problema é que as ONGs acabam deixando de recolher os materiais cujos preços são mais baixos.
A informação é do secretário municipal do Meio Ambiente, Gérson da Silva, e do coordenador do programa de coleta seletiva, José Paulo da Silva. ''Há condomínios vendendo diretamente para os atravessadores o material que têm valor. O problema é que eles querem que as ONGs recolham o resto'', comentou Gérson da Silva. Ele acrescentou que a Secretaria tem ''uma visão social do lixo'', mas que está tentando solucionar a situação na base do diálogo.
O Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi) é a favor da fiscalização do programa de coleta seletiva, incluindo a multa. Mas cobra que a administração municipal e os integrantes das ONGs cumpram a parte deles. ''Estamos avançando. Algumas vezes, ninguém aparece para buscar. Mas a aceitação dos moradores tem sido grande, especialmente pelos mais jovens'', declara. E a entidade, de acordo com Coimbra, recomenda que a entrega do material reciclável às ONGs seja integral.
Outro problema é a mistura de material não aproveitável no lixo separado pelos recicladores integrantes das ONGs. A tesoureira de uma das entidades, Gláucia da Silva André, 26 anos, comenta que até tijolo já foi encontrado no material reciclável. ''Também acontece que os próprios moradores ficam com as latinhas de alumínio e esse material não chega até a gente'', revela.
Uma lei federal e uma resolução municipal prevêem que a separação do material é obrigatória. De acordo com José Paulo da Silva, a questão da fiscalização e da multa ainda estão indefinidas, mas a adesão aumentou muito, especialmente nos últimos meses.
O programa local foi criado em 1996. Em dez anos, a coleta seletiva atingiu perto de 10% dos 1.400 condomínios da cidade. Mas somente nos últimos seis meses esse índice subiu para 50%. ''O certo é que a destinação seja total para as ONGs. Quando isso não ocorre, tentamos conversar com os síndicos para convencê-los e na maior parte dos casos temos conseguido'', garante José Paulo. Segundo o Secovi, dos 380 condomínios filiados à entidade, entre 80% e 90% fazem a separação do lixo reciclável.

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