Em outros bairros de Londrina de fato já existe uma conscientização maior sobre a importância da reciclagem. No condomínio Quinta da Boa Vista, zona sul, com 213 apartamentos e cerca de 650 moradores, por exemplo, além de latões coloridos destinados ao recolhimento de lixo reciclável, colocados estrategicamente na área externa de uso comum, os funcionários da limpeza responsabilizam-se por fazer a separação.
Como explica o encarregado de manutenção Sidney Beletato, ''pedimos que os próprios moradores façam a separação entre lixo orgânico e reciclável, mas nem sempre todos colaboram.'' O lixo reciclável do condomínio papel, papelão e plástico, especialmente é vendido para um catador ''autônomo'' e o dinheiro revertido para o condomínio, que o utiliza em benefício dos funcionários.
No Jardim Antares, zona leste, o sistema funciona, como afirma Celeste Gonçalves de Oliveira, que mora há 22 anos no local. ''Oitenta por cento a 90% dos moradores'', afiança, ''cooperam com a coleta seletiva do lixo''. Ela se surpreendeu, no início do processo, há cerca de quatro meses, com o que é possível aproveitar do lixo. ''Antes, eu usava um saco de 100 litros para recolher todo o lixo de casa. Hoje, um saco de 30 litros é mais do que suficiente para recolher o lixo orgânico.''
''Não se pode exigir demais da população'', comenta José Carlos da Silva, da CMTU, em relação à resistência que ainda existe na comunidade para cooperar com o sistema. Mas a participação é muito fácil, pois basta separar o lixo orgânico do inorgânico. Por isso, o saco verde, um só, que é entregue para os moradores. Tudo o que é aproveitável papel, vidro, plástico, alumínio etc. deve ser colocado ali, de preferência sem resíduos de alimentos. Os ''profissionais da reciclagem'' encarregam-se, depois, nas centrais de triagem, de separar do reciclável cerca de 32 itens diferentes.
O fim da linha, nesse caso, é a comercialização do material separado e prensado, e o rateio do rendimento obtido entre as ONGs e, em cada organização, entre seus integrantes.
Só para se ter idéia, dois exemplos possíveis aproveitamentos do ''lixo'': o papelão pode virar mais à frente um rolo (a base) de papel higiênico e uma garrafa ''pet'', quem diria, pode virar, depois de triturada, um elemento de composição do poliéster.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização oferece serviço de apoio, que conta com 4 caminhões, barracão, maquinários e assistência jurídica, administrativa e social aos cooperados. Três caminhões e três prensas já auxiliam as ONGs na coleta e processamento de material reciclável (os equipamentos são usados por um sistema de rodízio).

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