Condomínio quer cachorrinha Tuca fora do apartamento
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Edmara Michetti 
Londrina
Desde que se mudou para o edifício Sofia, no jardim Vilas Boas (zona sul), há quatro meses, a técnica em edificações Wania Scoponi, 26 anos, iniciou uma briga com os vizinhos para não se separar de Tuca, a cachorrinha de estimação. O problema é que o estatuto do condomínio não permite animais nos apartamentos. Se for o caso, Wania pretende se defender na Justiça. Sem ela eu não fico, garante.
Wania admite que foi avisada logo que mudou, pelo síndico, da norma que proibia a permanência de animais no prédio. Mas ele disse que não se opunha, conta. Logo depois, de acordo com Wania, começaram as reclamações de vizinhos e o síndico lhe mandou uma advertência. O problema, conta Wania, foi numa tarde em que Tuca ficou sozinha dentro do apartamento e, estranhando a nova casa, começou a chorar. Na tentativa de parar com o barulho, a zeladora teria ido até lá, apertado a campainha e batido na porta, aumentando a choradeira de Tuca.
Depois disso, não teve mais problemas, diz Wania. Mesmo assim, os vizinhos voltaram a reclamar, alegando que o animal estava fazendo barulho na porta e latindo de noite. Ela não faz barulho e de noite dorme do meu lado e eu durmo cedo, argumenta. Dessa vez, conforme reza o regulamento do edifício, a moradora foi multada - 10% do salário mínimo - e se recusou a pagar. O caso, então, foi discutido em assembléia entre os condôminos. Wania propôs manter a cachorra fora do prédio enquanto ela não estiver em casa, retornando com Tuca à noite. Os moradores não aceitaram.
Diante do impasse, o síndico Emydio Silingovschi Júnior está coletando assinaturas dos moradores dos 30 apartamentos para saber que medidas tomar. Ele admite que a norma pode ser retirada do regulamento, mas depende dos moradores. O caso também pode ser levado à Justiça. O abaixo-assinado é para decidir se o condomínio entra na Justiça. Se isso acontecer, eu entro para me defender, adianta Wania. Outros moradores que tiveram animais no edifício, segundo o síndico, passaram pelo mesmo processo de Wania e acabaram tendo que retirar os animais do local.
A técnica em edificações conhece outra caso como o seu na Cidade. A moça, segundo ela, ganhou a causa na Justiça em 1989. Nesse caso, de acordo com Wania, eram sete cachorros. Wania afirma que Tuca foi presente de sua tia, depois da morte de um primo. Faz quase um ano que ela está comigo e eu me apeguei, diz. Segundo ela, no prédio em que morava anteriormente com a cachorra nunca teve problemas.


