Condições precárias de vida rondam os indígenas Michele Muller De Curitiba No Paraná, os índios são cerca de 10,2 mil habitantes distribuídos em 18 aldeias. Eles vivem em precárias condições de higiene e sem saneamento básico. Quando muito, recebem R$ 50,00 mensais com a venda de artesanatos e trabalhos esporádicos em terras particulares próximas à comunidade. É dessa maneira que o índio Valdivino Felip, do Posto Indígena Rio das Cabras, no Centro-Sul do Estado, garante sua renda mensal. Quando tem sorte de ser convidado por algum fazendeiro a trabalhar na lavoura, ganha, por dia, R$ 5,00. ‘‘Nós quase nunca passamos fome, mas o dinheiro não é sufuciente para comprar remédios, quando alguém da família fica doente’’, conta. Com os poucos recursos existentes na aldeia, Valdivino precisou viajar a Curitiba na semana passada para levar sua filha de seis meses à Casa de Saúde Indígena, mantida pelo Governo Federal. Assim como ele, cerca de 120 índios recorrem, todos os meses, aos serviços de saúde do órgão. Muitos deles, segundo a assistente administrativa da casa, Mirca Longani, apresentam desnutrição e outras doenças decorrentes da má alimentação. O engenheiro Sérgio de Campos, que trabalha na Fundação Nacional do Índio (Funai) há 20 anos, acha que as aldeias merecem mais incentivos do governo. ‘‘A assistência que os índios recebem do estado não é suficiente. É preciso que se apliquem mais recursos em saneamento básico, educação e agricultura nas comunidades indígenas’’, afirma.