Curitiba - Diversos fatores contribuem para que a cidade tenha destaque entre as demais. Alguns são tipicamente curitibanos, como explica o biólogo e coordenador da Vigilância Epidemiológica, setor da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Marcelo Vetorello. ‘’É aquele hábito dos curitibanos de guardar as coisas em caixas de papelão e as casas coloniais, de madeira, dos imigrantes europeus, que possuem sótão e porão’’, afirma.
Vetorello também aponta o processo de urbanização de Curitiba entre as décadas de 1960 e 1980, quando as aranhas afastaram-se do desenvolvimento do centro da cidade, mas encontraram a população de aranhas que se distanciava da urbanização da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Os fatores climáticos que reduziram o período de frio intenso na Capital também são citados pelo biólogo. Nas épocas mais frias a população de aranhas-marrons é controlada, pois muitos filhotes morrem pelo frio e as adultas esperam pelo aumento da temperatura. ‘’Teve também uma mudança cultural. Antes a gente criava em casa galinha, pássaros, sapos, que são inimigos naturais das aranhas’’, lembra.
Os registros de casos de picadas de aranha-marrom apontam os bairros Fazendinha, Campo Comprido, Boa Vista, Barreirinha, Hauer, Xaxim e Boqueirão, como os que concentram os maiores números. ‘’Elas estão pela cidade inteira, mas no centro são menos casos, como no São Francisco, Ahú, Juvevê, Cabral’’, afirma Vetorello. Ele aponta a dinâmica de vida no centro da cidade, a estrutura das casas e fatores como radiação, umidade e poluição são os responsáveis pela diferença entre os bairros.
O ano com maior registros de picadas por aranha-marrom foi 2004, com 3,744 mil casos. A média na cidade é de 3 mil casos por ano. Este índice causa espanto em pesquisadores de outras regiões do país, como os de São Paulo, por exemplo, em que a média gira em torno de 150 casos por ano. ‘’Quando vou a congressos, eles não acreditam, perguntam como isso é possível’’, conta o biólogo. (C.G.B.)

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