O perigo que vem do rio também afeta os moradores da invasão de fundo de vale entre os conjunto Aquiles Stenghel Guimarães e Luís de Sá, conhecida como Jardim dos Campos, na Zona Norte. Para a dona de casa Sirlene Aparecida Marques, 23, a ameaça, por sorte, não passou de um tremendo susto. Embaixo da cama onde dorme com os filhos Willian, 5 e Vitor Hugo, 3, ela encontrou uma cobra.
''Também aparece rato, aranha. Um dia até o meu filho se assustou com uma aranha, das grandes'', conta, enquanto mostra um rato morto jogado entre o mato do quintal de casa e o Córrego Sem Dúvida, que desagua no Ribeirão Jacutinga.
Outra queixa de Sirlene é sobre a precariedade da casa de madeira. As fendas não impedem a entrada de água da chuva. Fezes de rato estão espalhadas pelo chão e armários da cozinha, que está quase vazios. Cestas básicas recebidas através de programas sociais são a única fonte de sustento. ''Precisamos sair daqui o mais rápido possível'', suplica.
A aspiração é semelhante à da também dona de casa Silvana dos Santos, 36. Vivendo do dinheiro que recebe de programas sociais dos governo, ela espera encontrar vaga em creche para a filha Isabela Ohana, de 1 ano e 4 meses, para poder trabalhar.
Segundo Silvana, as condições de moradia na invasão são tão precárias que prejudicam o desenvolvimento da criança. ''Ela ainda não anda direito. A pediatra diz que eu tenho que deixar a minha filha mais solta no chão, para ela aprender. Mas não tem como. É muito perigoso. Tem muito inseto e até ratos por aqui'', reclama.

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