Condições de estradas rurais preocupam moradores
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sábado, 28 de novembro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local
As condições das estradas rurais de Londrina após período recorde de chuvas são motivo de preocupação para agricultores e moradores de distritos mesmo depois que diversas vias passaram por obras de recuperação. A força da água provocou erosão e desbarrancamentos, prejudicando o tráfego e o dia a dia de quem vive ou trabalha no campo.
O pedreiro aposentado Salvador José de Oliveira, de 70 anos, reclama das condições do cruzamento das ruas Geraldo Júlio e Raul José de Souza, na região da Chácara São Miguel (zona sul). A via recebeu moledamento há uma semana, mas já apresenta erosões graves. Morador da região há cinco anos, ele conta que sofreu um derrame e depende de ônibus para ir à unidade básica de saúde mais próxima. O problema é que a erosão impede que ele tenha acesso ao ponto de ônibus. A solução é esperar o coletivo no meio da estrada. "Quando chove o ônibus não passa aqui. Se tenho consulta marcada, não dá para ir. Em dias de sol, vem muita poeira", reclama.
O motorista de ônibus Alexandre Teixeira comenta que a erosão nas laterais da pista impede que dois veículos passem pela via ao mesmo tempo. "A chuva foi muito forte. Os moradores reclamam que a erosão dificulta o acesso às suas próprias casas", comenta. A poucos metros dali, na Rua Final, não há nem moledamento. Para circular na via, só com trator.
Na Estrada Nakanishi, que liga a PR-445 ao Distrito de Maravilha (zona sul), existem vestígios de que um dia a via foi asfaltada. A via era utilizada por caminhões de lixo para chegar à Central de Tratamento de Resíduos (CTR), mas as condições estão ruins que agora os veículos estão usando caminhos alternativos. A produtora de tomates Nanci Aparecida Ximenez Bassani diz que o tráfego dos caminhões de lixo contribuiu para a piora das condições da via. "Aqui estraga muito o carro. Certa vez colocaram entulhos de construção civil moídos para tentar melhorar a trafegabilidade, mas esqueceram de retirar os pregos e pedaços de ferro e isso furava os pneus constantemente", critica.
No Patrimônio Selva, a estrada recuperada recentemente também já apresenta erosão nas laterais. Já na estrada que liga Três Marias a Ibiporã, os problemas são constantes. Funcionária de um pesque-pague, Jandira Azevedo conta que já teve de passar por uma ponte com a água chegando à metade da altura do carro. "A água passa por cima da ponte, que também está caindo, e isso faz com que os veículos só possam passar por um lado. A estrada está terrível, é muita lama e muita gente fica com o carro atolado na estradinha", critica.
O secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Vitor Santos Junior, alega que o município tem passado por uma "situação atípica de intensidade de chuva". "Recentemente o município registrou 150 milímetros em uma hora de chuva, o que contribui para o problema. Fora isso tem outra situação, que é o volume acumulado muito grande. Choveu 200 milímetros em setembro, acima de 220 milímetros em outubro e até o dia 23 de novembro já tinha chovido 400 mm. O solo está tão encharcado que não absorve mais a água e ela corre superficialmente", explica.
Com o grande volume, a água provoca estragos nas plantações. "Muitos agricultores perderam tudo porque a chuva carregou adubo, terra, semente", aponta. A prioridade da pasta, aponta, serão as pistas onde o volume de tráfego é maior. Sobre o moledamento nas vias rurais, Santos Junior diz que o serviço é feito de "forma regular". "Estamos realizando esse serviço na Estrada Dois Coelhos, perto do antigo Posto Serrinha até o Patrimônio São Luiz, mas a chuva não deixa", lamenta.