Condicionamento físico e inclusão
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quarta-feira, 27 de junho de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local
''Eu gosto muito daqui, tia. A gente brinca e faz amigos.'' A afirmação espontânea em meio à expressão de entusiasmo da pequena Marcela Silva Petri, enquanto tenta chamar a atenção para si, mostra que as aulas de natação têm feito sucesso entre ela e os coleguinhas. Juntamente com outras oito crianças, com idades entre 1 e 8 anos, Marcela participa da atividade no Centro de Reabilitação e Promoção à Saúde (Creps), de Cambé (Norte), para o desenvolvimento físico das crianças com Síndrome de Down.
As aulas são realizadas há um mês no município e, segundo a coordenadora do Creps, Fátima Regina Serpeloni Hauly, o objetivo é promover o fortalecimento muscular e melhorar a função cardiorrespiratória, sem impactar as articulações dos pequenos, além de possibilitar desde cedo sua inclusão na sociedade e a troca de experiência entre as mães.
''Como já acompanhávamos esses bebês desde a amamentação e percebíamos a dificuldade que muitos deles tinham em fazer a sucção do leite materno, devido ao enfraquecimento do tônus muscular (característico da síndrome), decidimos desenvolver o projeto para potencializar seu desenvolvimento integral'', conta Fátima, que é professora de Educação Física. ''Nosso intuito é descaracterizá-los como pessoas diferentes ou deficientes e caracterizá-las como pessoas comuns, capazes de realizar qualquer tipo de atividade, desde que estimuladas desde cedo.''
Adaptação
As aulas são realizadas duas vezes por semana, com o auxílio dos pais ou responsáveis em uma piscina térmica coberta que foi toda adaptada com para aparelhos para o atendimento das crianças. São instrumentos que estimulam o equilíbrio, a resistência física e a força dos pequenos. Tudo animado por muita música e sob a orientação de professores de educação física e fisioterapeutas.
''Esse acompanhamento é fundamental, até mesmo para que os pais saibam como segurar as crianças, dando mais segurança a elas, sem limitar seus movimentos'', enfatiza a coordenadora do trabalho, explicando que devido ao posicionamento das orelhas na cabeça (localizada a uma altura mais baixa do que nas crianças sem Síndrome de Down) e a tendência de jogarem constantemente o peito e a cabeça para frente, teriam 70% de chance a mais de sofrerem com inflamações no ouvido. ''Após compreendida a técnica, o objetivo, para nós, é mantê-las concentradas na atividade. Mas, pouco a pouco, isso vai ficando muito natural.''
Desafio mais que superado por Marcela e a mãe Jaqueline Silva Petri, que é professora. ''Ela não reclama de fazer nenhum exercício, até gosta muito. Quando chega a hora de se preparar para vir, ela já começa a ficar impaciente, me chamando para vir'', conta a mãe, que acompanha com zelo o desenvolvimento da menina. ''Procuro proporcionar o máximo de atividades para ela, sem superproteger ou limitar sua independência, acho que é até por isso que a Marcela é tão desenvolta e corajosa.''
Presença
Os pais de Murilo Coelho Augusto, de um ano e dois meses, relatam que a alegria de ver o filho dormir durante o trajeto do Centro até a casa, após a atividade (que ele pratica com satisfação), não tem preço. ''A gente fica muito contente de saber que ele está crescendo forte e cheio de saúde e acreditamos que a estimulação na água tem um papel muito fundamental para isso'', conta a enfermeira Flávia Coelho.
''Nos dedicamos por completo a ele, se eu não posso trazê-lo à aula algum dia, devido a outros compromissos, ela traz e vice-versa. E acho até bacana a gente intercalar para que ele sinta essa presença tanto do pai quanto da mãe em suas atividades'', sorri Robson Augusto, corretor de imóveis.
O atendimento é gratuito e direcionado somente às crianças moradoras de Cambé, após encaminhadas pelo pediatra. As aulas são realizadas às segundas e quartas-feiras, das 18h30 às 19 horas. O trabalho é uma promoção da Secretaria Municipal de Saúde.
Serviço - O Creps fica na Rua Holanda, 28, fone (43) 3174-0324 ou 3174-0458.