Condenados assassinos de cônsul
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sexta-feira, 16 de agosto de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O michê Walter Machado Soares, 27 anos, foi condenado ontem pela manhã, depois de um julgamento que durou 24 horas, pelo assassinato do cônsul de Portugal Miguel José Fawor. Ele pegou uma pena de 18 anos, seis meses e 18 dias por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e furto. O crime ocorreu em março de 2000. Ele e Carlos Rodrigues Pereira Fraga, 21, foram fazer um programa com o cônsul.
Depois do programa, Fraga teria recebido R$ 100,00 e descido para beber. Soares fez o programa logo depois. Na hora do pagamento, os dois teriam discutido. De acordo com o promotor Celso Luiz Peixoto Ribas, sem qualquer motivo aparente e tomado pelo ódio, o michê teria dado golpes sequenciais com um halteres na cabeça do cônsul que teria caído desacordado.
Desesperado, Soares teria procurado Fraga e contado o que aconteceu. Os dois teriam arquitetado o plano de esconder o corpo e simular um assalto. Eles encapuzaram o cônsul que morreu por asfixia e colocaram o corpo no porta-malas do carro Mercedes Benz. Para tentar encobrir as ligações feitas entre eles, os michês furtaram o telefone com secretária eletrônica.
O corpo foi jogado na Serra do Mar, numa altura de cerca de nove metros. Eles fugiram e abandonaram o carro no Alto da XV, bairro da região central da cidade. Soares admitiu os três crimes, mas contou que se sentiu humilhado pelo cônsul depois do programa. O advogado Nelmon José da Silva Júnior tentou qualificar o homicídio como privilegiado, ou seja, ocorrido após agressão injusta da vítima como forma de reação.
Os jurados desqualificaram o homicídio privilegiado por quatro votos a três e caracterizaram o crime como qualificado por sete votos a zero. ''Isto é um disparate. Como poderiam passar de privilegiado para qualificado com unanimidade. O crime teria que ser, no máximo, homicídio simples'', disse o advogado.
Fraga foi condenado a nove anos, seis meses e 20 dias de prisão por ocultação de cadáver e furto. O michê era conhecido do cônsul há alguns meses e já tinha feito outros três programas com ele. A defesa têm até quarta-feira para recorrer da sentença.


