Mais dois homicídios foram registrados ontem em Londrina. Com isso já são 48 assassinatos no ano e oito somente no mês de maio. A metade das vítimas era menor de 21 anos. Ontem de manhã a polícia encontrou o corpo do carregador Alexandre Rosa do Nascimento, 25 anos, morador do Jardim Coliseu (zona norte), com 12 perfurações de uma pistola 9 milímetros.
Nascimento estava dentro de um Saveiro verde metálico, placas AET-7553, de Guaíra, estacionado na Rua Mamoeiro, esquina com Avenida Brasília, no Jardim Nossa Senhora da Paz, zona oeste. Segundo o tenente do 5º Batalhão da Polícia Militar, Luiz Carlos Lemos Jr, a vítima já tinha passagem pela polícia por homicídio. Em 1997, ele foi condenado pela morte do estudante Fábio Dias Batista, ocorrido em 1995. O crime teve grande repercussão em Londrina. Na época do julgamento, Nascimento já estava cumprindo pena na Penitenciária Estadual de Londrina por uma tentativa de homicídio, praticada em 1993. Segundo a polícia, ele estava em liberdade provisória.
Dentro do carro de Nascimento foi encontrada apenas uma carteira vazia. O corpo estava no banco do motorista. Alexandre foi encontrado com as chaves do automóvel na mão. Com isso a polícia suspeita que ele tenha sido morto na hora em que tentava ligar o carro para fugir. De acordo com o perito do Instituto de Criminalística de Londrina, José Carlos Miranda, Nascimento foi morto à queima-roupa. A polícia fez a perícia no local e deverá procurar impressões digitais no carro da vítima.
Alexandre era casado, tinha um filho e a mulher está grávida. A família do carregador não quis dar nenhuma declaração. Segundo o delegado Roberto Hummig, que estava de plantão, declarações da família da vítima indicam que ele era usuário de drogas e vinha sendo ameaçado por dívidas junto aos traficantes. Para a polícia, o crime pode ter sido um acerto de contas.
O outro homicídio aconteceu no início da noite de anteontem. Por volta das 19 horas o mototaxista Rogério José de Oliveira, de 25 anos, morador da Vila Nova (área central), foi executado com quatro tiros de uma pistola semi-automática 380 quando estava parado com sua moto titã, na esquina das ruas Icós com Cuiabá, na Vila Casoni (centro).
Segundo Miranda, testemunhas que estavam perto do local do crime viram dois rapazes em uma moto Honda ML, de cor preta, dispararem cinco tiros contra Rogério, dos quais quatro atingiram o mototaxista. Nenhum morador daquela região quis falar sobre o assunto. Um dos moradores, que não se identificou, disse apenas que naquele bairro vigora a chamada ‘‘lei do silêncio’’ porque as pessoas têm medo de dar qualquer declaração.
A polícia chegou a pensar numa ligação entre os dois assassinatos, mas o delegado descartou essa hipótese na manhã de ontem. Segundo ele, no caso da morte de Nascimento a polícia já tem alguns suspeitos, até porque a vítima e a família vinham sendo ameaçadas.

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