Condenado não consegue voltar à prisão
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sexta-feira, 15 de outubro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A tentativa de visitar a mãe terminou com uma situação insólita para Cláudio Pereira, 37 anos, detento do Centro de Progressão Penitenciária de Valparaiso (interior de São Paulo). Em Londrina há uma semana, ele procurava ontem uma solução para conseguir voltar à prisão, de onde saiu no dia 7 de outubro com uma portaria que o autorizava a visitar a família no feriado do dia 12.
Pereira deixou o presídio com destino a Marília (SP), onde pensava ser a residência da mãe. Informado por uma tia que ela havia se mudado para Londrina, veio até a cidade para tentar encontrá-la. A viagem foi em vão. Ao procurar pela mãe no Jardim Pindorama (Zona Leste), descobriu que ela havia se mudado novamente.
Sem dinheiro para comprar a passagem de volta, ele não conseguiu retornar ao presídio no dia 13, quando deveria se apresentar. Com medo de ser considerado foragido e perder o benefício do regime semi-aberto, o detento procurou a Vara de Execuções Penais (VEP) e entidades de assistência social. Diante da dificuldade para encontrar uma solução para o caso, vagava, ontem, pelos corredores da 10Subdivisão Policial (SDP) a espera de ajuda.
O auxílio veio através da solidariedade dos funcionários da delegacia. Sem poder ajudar Pereira oficialmente, o superintendente da 10 SDP, Francisco de Assis, fez uma ''vaquinha'' e reuniu os R$ 35,00 da passagem. Com o dinheiro, Pereira garantiu que voltaria a Valparaiso no mesmo dia.
De acordo com Assis, a polícia de Londrina só poderia recolhê-lo e enviá-lo de volta se a Justiça de São Paulo o considerasse foragido e emitisse mandado de prisão. ''Esse processo demoraria muito tempo'', explicou. Em telefonema ao presídio, Assis foi informado que o detento poderia retornar até segunda-feira sem ônus para a pena. Arrecadou, então, o dinheiro necessário e o mandou de volta à prisão.
Cláudio Pereira foi preso em 1986, quando tinha 18 anos. Condenado por três homicídios e dois assaltos, cumpre pena de 26 anos. Tendo passado a maior parte da vida na prisão, ele espera ansiosamente o ano de 2009, quando deixará a penitenciária. Pai de um jovem de 19 anos, nascido no ano em que foi detido, Pereira planeja ''formar uma família'' quando estiver em liberdade. ''Não vou voltar para o crime'', garante.
Atualmente, ele trabalha na fabricação de bolas no Centro de Progressão Penitenciária, onde recebe R$ 1,45 por cada objeto confeccionado. O pagamento é quase todo utilizado na aquisição de produtos de higiene. O dinheiro para a passagem de vinda a Londrina foi emprestado por outros presos do complexo paulista.


