Condenado homem que esfaqueou ex-mulher
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terça-feira, 29 de agosto de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Ibiporã Dez meses após levar mais de 50 facadas do ex-companheiro, a jovem Carolina Francisca da Silva, 18 anos, sente-se um pouco mais aliviada. Márcio Pereira de Araújo, 24 anos, o autor da tentativa de homicídio, foi condenado a seis anos de reclusão em regime inicialmente fechado.
O julgamento, no Tribunal do Júri de Ibiporã (14 km a Leste de Londrina), começou às 8h30 de segunda-feira e foi terminar só no final da tarde. A vítima esteve no plenário, e chegou a chorar durante a sessão, mas não foi ouvida. Na ocasião, duas matérias da Folha relativas ao caso foram bastante exploradas pelo Ministério Público.
O crime aconteceu no dia 2 de outubro do ano passado em Ibiporã, e desde então Araújo está preso na delegacia da cidade. Segundo informações da Vara Criminal de Ibiporã, três pedidos de habeas corpus foram impetrados no Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba, e um no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, mas todos foram negados. Depois que o processo for transitado em julgado (sem possibilidade de recursos), Araújo deve ser transferido para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Seus advogados, porém, ainda podem recorrer da sentença.
''O julgamento foi justo, mas muito difícil, por causa do pavor de ficar no mesmo lugar que ele'', comentou Carolina, que, desde o ocorrido, não tinha mais tido contato com seu ex-companheiro. ''Fico imaginando quando ele sair, um dia ele vai querer ver a nossa filha, e me dá um certo receio'', confessou, informando que a menina está com 2 anos e meio.
O juiz titular da Vara Criminal fundamentou a sentença no dolo do agente (réu), manifestado pelo número de golpes e o local onde foram desferidos (cabeça). No despacho, o juiz também considerou que os motivos que o levaram a praticar a violência não podem ser usados como justificativa, e são vinculados à vingança. O fato de o casal já estar separado, as agressões terem ocorrido dentro da casa do réu, e o comportamento da vítima não ter contribuído em nada para que Araújo reagisse da forma como o fez também foram avaliados pelo juiz em sua decisão.
O casal já estava separado havia cinco meses quando Araújo esfaqueou Carolina. No dia da ocorrência, a jovem tinha ido à casa de uma amiga quando foi chamada por Araújo, que afirmava ter um presente para a filha. Segundo a jovem, ele desferiu os golpes dentro de sua residência, atingindo principalmente a cabeça, além de braços e mãos. A vítima ainda tentou fugir, mas foi arrastada pelos cabelos. ''Ele falou que eu o empurrei, que dei um tapa. Mas depois as testemunhas deram versões diferentes. Se ele tivesse arrependido como dizia, não ia mentir.''
Carolina tinha 17 anos na época. Desde que levou as facadas, a jovem precisou passar por várias sessões de fisioterapia e não pôde voltar a trabalhar como doméstica. ''Ele cortou a minha orelha, e com isso eu tinha perdido bastante a audição, mas já estou recuperando.'' Ela explicou que vai precisar passar ainda por uma cirurgia, pois teve os movimentos do braço direito prejudicados pelo rompimento de um nervo, e, em decorrência disso, sua mão já atrofiou um pouco.
''Na época me falaram que os cortes não foram muito profundos, mas depois o médico esclareceu que foram sim. Eu tive traumatismo craniano e até perdi massa encefálica'', relatou. Porém, segundo sua avaliação, as sequelas psicológicas é que foram mais graves. ''É como a promotora disse, a marca da cicatriz sai com cirurgia. Mas o trauma eu vou levar pro resto da vida.''


