Concussão e abuso de autoridade
Ontem, a PIC protocolou também denúncia por concussão e abuso de autoridade contra os investigadores de polícia José Manoel Marcondes, Luiz Ernesto Kuss e Raul Fábio Cardoso Mattar. Também são citados por abuso de autoridade os delegados Nasser Salmen e Gutemberg Neves Ribeiro e contra o investigador Jurandir Antonio Mulizini. Exceto Salmen, que foi afastado da Delegacia de Bocaiúva do Sul depois de acusação de tentativa de extorsão, todos estão lotados no 4º Distrito Policial. Marcondes, segundo o MP, já responde a processo por homicídio na comarca de Campina Grande do Sul, região metropolitana.
Segundo a denúncia, em 17 de maio de 2001, época em que todos os denunciados trabalhavam no 6º Distrito, os investigadores Marcondes, Kuss e Mattar teriam prendido ilegalmente (sem ordem judicial ou flagrante) Sebastião Inácio Rocha, sob a alegação de que estaria praticando estelionato por meio da Internet. Os três investigadores teriam exigido R$ 5 mil para que ele não fosse indiciado. Não tendo o valor, a Rocha teria entregue aos investigadores, como garantia, seu veículo, um Fiat Palio.
Mesmo sabendo da prisão ilegal, os delegados Nasser Salmen e Gutemberg Ribeiro e o superintendente do Distrito, Jurandir Mulizini, teriam sido omissos e, por isso, foram acusados de abuso de autoridade.
Em sua defesa, Mulizini disse não saber ''como coube a denúncia'' contra ele. Disse também que não houve irregularidades na prisão de Sebastião Rocha, tanto que existe no 6º Distrito um inquérito policial e, inclusive, mandado de prisão instaurado contra o suposto estelionatário. Kuss não quis se manifestar a respeito da denúncia. Marcondes e Mattar não foram localizados. Um outro investigador do 4º Distrito disse que Marcondes estaria fazendo trabalho externo e que Mattar não está mais lotado naquela unidade. A Folha fez várias ligações para o 4º Distrito na tentativa de conversar Ribeiro, mas não obteve êxito.
O delegado-geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, afirmou que os policiais também deverão ser alvo de investigações preliminares pela Corregedoria. Se ficarem comprovadas as acusações, eles poderão responder a processo disciplinar e serem punidos com demissão.





