Concursos da UEL não pedem antecedentes
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terça-feira, 17 de janeiro de 2006
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Ao contrário do que informou a direção de seleção da pró-reitoria de Recursos Humanos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), nem todos os concursos para contratação de pessoal para a instituição exigem a apresentação de certidões negativas de antecedentes criminais. A Folha publicou neste mês reportagem sobre o vigia que trabalhou por 15 anos na UEL mesmo sendo foragido da Justiça em Minas Gerais desde o final dos anos 1980.
Após a publicação da matéria, uma funcionária de carreira do Hospital Universitário ligou para rebater a afirmação do diretor de seleção da pró-reitoria de RH da UEL, Paulo Roberto de Carvalho, que disse que ''todo candidato está sujeito a apresentação de certidões negativas da Justiça Federal e Estadual e criminal do cartório distribuidor onde tenha residido nos últimos cinco anos''. Ele apontou ainda que as certidões teriam que ser expedidas no prazo de até 60 dias antes da inscrição.
A reportagem pesquisou no site da Divisão de Recrutamento e Seleção da pró-reitoria de RH e constatou que o concurso público para preenchimento de 30 vagas de nível superior (médico, bioquímicos e enfermeiros), cujo edital foi publicado em dezembro do ano passado, não exigia qualquer tipo de certidão sobre antecedentes criminais dos interessados nos cargos.
A funcionária que procurou a Folha lamentou que quem já trabalha na UEL ''percebe que essa precaução é necessária mas, politicamente, ninguém compra a briga'' e comentou que a despreocupação em se informar sobre o passado dos candidatos prejudica a instituição. ''Falta um pouco mais de seriedade nas contratações. As coisas têm que funcionar melhor, porque estamos lidando com o dinheiro público'', completou.
A funcionária disse que as contratações temporárias pioraram esse quadro e exemplificou que no HU pessoa processada por homicídio foi contratada por tempo determinado e ''deu problema''. O caso citado por ela se soma ao do vigia Paulo Rodrigues Alves, 69 anos, que desde 1990 trabalhava no campus mesmo sendo procurado pela Justiça mineira em um processo por homicídio. Há 18 anos, ele teria matado um agricultor na cidade Conselheiro Pena. Alves foi preso em dezembro e deverá ser transferido para Minas Gerais. A direção de seleção alegou que na época em que Alves foi aprovado, provavelmente, não se pedia certidões de antecedentes.
Procurado novamente, o diretor de seleção da pró-reitoria de RH esclareceu que as certidões de antecedentes criminais só são exigidas para funções mais ligadas à área de segurança como vigias, porteiros e zeladores. O mesmo vale para os testes seletivos, realizados para contratar funcionários por tempo determinado.


