Corumbataí do Sul - Nenhum candidato se inscreveu para a única vaga de coveiro aberta no concurso público realizado no final de semana pela prefeitura de Corumbataí do Sul (51 km a leste de Campo Mourão). O desinteresse surpreendeu a prefeitura, que contava com o novo coveiro para a inauguração da ampliação do cemitério. ‘‘Sobraram candidatos para os outros cargos braçais’’, disse o prefeito José Antônio Cafissi (PSDB).
A prefeitura oferece R$ 209,16 para um coveiro, um pouco mais que os R$ 201,60 para a função de servente geral, que teve 73 candidatos disputando 15 vagas, ou para auxiliar de serviços gerais, que registrou 51 inscritos para as nove vagas. Todas essas funções exigem que o candidato apenas saiba ler e escrever.
‘‘Acho que houve um pouco de preconceito’’, disse o responsável pelo departamento pessoal da prefeitura e presidente da Câmara, Paulo Sérgio Peternelli (PPS). O único coveiro do município de 5 mil habitantes, Antônio Antunes, o ‘‘Coveiro’’, 55 anos, deixou a função por ordem médica. Depois de 22 anos no cargo, ele agora é o guarda noturno da praça central de Corumbataí do Sul. ‘‘Não posso mais fazer serviço pesado’’, explica.
Enquanto não consegue um coveiro oficial, o serviço vem sendo feito pelo servente geral Adelto Mariano Araújo, 60. ‘‘Para onde me jogarem, eu vou’’, afirma ele, que trabalha há 14 anos na prefeitura. Araújo nega que o serviço seja pesado. ‘‘Fica até 40 dias sem morrer ninguém na cidade’’, conta. ‘‘Mesmo quando acontece de morrer uns dois meio seguidos, eu já tenho três ou quatro covas prontas’’.
Pelas ruas da cidade, o assunto chama a atenção dos moradores. O pedreiro Gilmar de Oliveira, 38, que está desemprego há 18 meses, diz que prefere continuar fazendo bicos do que disputar uma vaga de coveiro. ‘‘Coveiro não tem folga. Tem que estar no ponto 30 dias por mês e o salário é muito baixo’’, explica. ‘‘O pessoal tem um pouco de sisma desse emprego’’, comenta o comerciante Édino Rodrigues dos Santos, 36.
Para o taxista José Vitor de Araújo, 55, o problema é o salário oferecido pela prefeitura. ‘‘Se fosse uns R$ 400,00 aparecia gente interessada’’. Segundo ele, o serviço é muito pesado. ‘‘Mas pagando bem, o povo pega até o defunto pela perna’’, brinca. O aposentado José Eugênio de Assis, 70, garante que aceitaria o emprego se tivesse boa saúde. ‘‘Já enfrentei na roça coisa bem mais difícil que o cemitério’’.

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