Concurseiros se preparam para 2014
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Livros e apostilas são os companheiros de viagem do estudante Fernando Pavaneli. Aos 31 anos, ele está na disputa por uma das vagas ofertadas em concursos públicos. O estudante viajou para Curitiba e para o interior de São Paulo para participar das festas de fim de ano com a família, mas a rotina de estudos não será interrompida. Com a leitura diária, Pavaneli está otimista e espera uma aprovação em 2014. "Período de Natal e Ano Novo não significa descanso total", resumiu.
O fisioterapeuta deixou a profissão de lado para se dedicar a sete horas diárias de estudos. A decisão difícil foi tomada após uma reflexão sobre o início da carreira. Pavaneli conquistou o primeiro emprego como fisioterapeuta logo após a formatura na universidade. No entanto, os atendimentos no consultório particular não trouxeram realização pessoal. De acordo com o número de consultas, o salário pago era de, aproximadamente, R$ 1,1 mil pela jornada de 11 horas, das 8h às 20h, com intervalo de uma hora para o almoço. "No começo geralmente é assim. A gente sabe que começa sofrendo um pouco. Ninguém começa ganhando R$ 3 mil. Só que, depois de alguns anos, eu não via perspectiva de crescimento", conta. A conversa com um amigo concurseiro e alguns meses sem salário fizeram com que o profissional se interessasse pela nova rotina.
Salários iniciais acima da média e estabilidade no emprego atraem milhares de pessoas para o serviço público. O número de candidatos aumenta a cada ano, assim como as oportunidades. Só os editais nacionais com inscrições abertas até janeiro oferecem mais de 17 mil vagas no total. No concurso do Banco do Brasil é exigido apenas Ensino Médio para concorrer a uma das 8.630 vagas de cadastro de reserva para o cargo de escriturário. O salário inicial é de R$ 2.043,36. Para quem procura um trabalho temporário, o IBGE oferece 7.825 vagas para profissionais que possam atuar no setor de pesquisas.
Mesmo com tantas possibilidades, Pavaneli resolveu direcionar os estudos para os concursos ofertados pelos Tribunais Regionais do Trabalho. Em março, o candidato conseguiu acertar 51 das 60 questões da prova realizada no Paraná e ficou em 2.102º lugar. "Um amigo acertou 57 e ficou em 199º. O nível de acerto está muito alto, você tem que saber o que você quer para estudar com um rendimento bom para a prova senão você só vai ser mais um número", pondera.
O estudante já frequentou cursos preparatórios, grupos de estudos e hoje optou por estudar sozinho em casa. A rotina exige disciplina e comprometimento. A leitura dos conteúdos começa às 7h30 e segue até as 20 horas, com poucos intervalos durante o dia. "É preciso se concentrar. Tudo é motivo de distração", destaca. No período das festas, a dedicação à leitura não deve passar de uma hora por dia, segundo ele.
Além das pesquisas nos livros e na internet, Pavaneli também se divide para manter as atividades físicas durante a semana. O apoio da família foi fundamental durante os dois anos de preparação e de viagens feitas por todo o País. "Nem todo mundo entende que é preciso se dedicar", diz. Para ele, é um investimento a longo prazo, principalmente quando se trata de concursos nacionais.
Rendimento
O estudante Rodrigo Petraukas da Silva, de 26 anos, adotou outra estratégia durante as festas de fim de ano. Ele se dedica a leitura de livros relacionados a cultura geral. "Quero me desligar dos conteúdos mais técnicos para depois retomar a rotina de estudos", disse. Servidor na Prefeitura de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), Silva começou a prestar concursos há dois anos e resolveu permanecer no cargo administrativo até a próxima aprovação.
Formado em Economia, o concurseiro também foi atraído pelo plano de carreira, mas decidiu prestar concursos para os mais diversos cargos. Como resultado, Silva foi aprovado nas provas da Sanepar, dos Correios e do Detran de São Paulo. Ele mantém uma rotina de estudos de quatro horas diárias. O candidato busca provas com conteúdos semelhantes ou próximos para manter o foco. "Agora quero tentar para fiscal da Receita Estadual e Federal e para os TRTs. A meta é alcançar um rendimento legal", afirma.


