Em busca da estabilidade no emprego, a cada ano milhares de pessoas prestam concursos públicos. A concorrência é pior do que vestibular, mas os salários, em sua maioria, são atrativos. Todo 'concurseiro' que se preze estabelece uma instituição como objetivo, porém não deixa de prestar outras seleções. Abdicar de tempo para família e diversão são sacrifícios necessários quando o que se quer é a aprovação.
Formado em Administração de Empresas, Ivan Tsusaki, 27 anos, revela que sempre desejou seguir a carreira pública. Ele passou no concurso para agente penitenciário, mas se licenciou do emprego para perseguir o objetivo de ser auditor da Receita Federal, ganhando salário inicial de R$ 7,5 mil. ''Estudo pela manhã, à tarde e à noite. A minha esposa também vai fazer concurso, mas para o TRE (Tribunal Regional Eleitoral)'', explica.
Tsusaki revela que começou a trabalhar com 14 anos na iniciativa privada e afirma que foi explorado, por isso resolveu buscar o emprego público. Para custear a meta da aprovação em um concurso público, a família vive agora com o dinheiro arrecadado com a venda do carro. ''Estamos apostando tudo no concurso público'', reforça.
O vendedor Vagner Yamato, 33 anos, é formado em Teologia mas sonha fazer carreira no TRE. Ele já fez outros dois concursos - ''meio na aventura'', confessa. Desta vez Yamato garante que vai passar, fazer a faculdade de Direito e tornar-se juiz ou promotor. Para concretizar o sonho, Yamato está debruçado sobre temas como língua portuguesa, matemática, arquivologia, direito eleitoral, direito consituicional e estatística ao todo são 11 matérias. ''Não dá pra desistir no meio do caminho'', assegura.
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Tribunal Regional do Trabalho, Prefeitura de Londrina foram os concursos que agente de saúde Maria Clarice Frederico prestou em um ano e meio de estudos. Agora ela vai tentar o do TRE-PR e, caso não consigua ser aprovada, planeja fazer o do Tribunal de Justiça. ''O problema é que eu começo estudar, faço um concurso e deixo de estudar. Depois preciso recomeçar tudo outra vez'', avalia.
Clarice acredita que o grande problema é a concorrência, que é alta demais. Como trabalha oito horas por dia e ainda faz cursinho preparatório para concurso ela não consegue se dedicar aos estudos em casa. '' Trabalho de dia, venho para o cursinho à noite e nos finais de semana. Não tenho como estudar mais'', confessa. Clarice tem curso superior de Ciências Contábeis. Depois de trabalhar quase 15 anos em atividades relacionadas a essa formação ela decidiu mudar de ramo. ''Acho que se você não está satisfeito com a sua profissão deve procurar alternativas'', ressalta. Apesar de ter curso superior ela opta por concursos que sejam de nível médio. '' Prefiro tentar vagas de nível médio porque passar nos de nível superior é mais complicado. Não acho que esteja em vantagem para fazer concurso porque tenho uma faculdade'', analisa.
O estudante João Hémerson Amaral acredita que as pessoas não podem se subestimar. Ele trancou a faculdade de Engenharia Elétrica e passou as festas de final de ano estudando. ''Vale a pena. Vejo o concurso público com um degrau para conseguir desenvolver a carreira'', argumenta.
Para a seleção deste ano o TRE espera pelo menos 50 mil inscritos disputando as 207 vagas como técnico judiário (nível médio) e 207, como auditor judiciário (nível superior). O último concurso, realizado em 2002, teve 12 mil inscritos lutando por nove vagas.
O coordenador de um curso preparatório para concursos, Akihito Allan Hirata, reforça que as pessoas que optarem por fazer concursos públicos devem estar conscientes que é muito difícil passar na primeira tentativa. ''Aqui no cursinho a gente alerta: concurso público não é estudar para passar, mas até passar'', assegura.

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