Concorrência quase extinguiu planta no PR
Como uma cultura que trouxe tanta riqueza e prosperidade pode praticamente desaparecer do mapa agrícola paranaense e nacional em poucos anos? Se a fibra do rami era tão poderosa, capaz de fazer com que uma peça de roupa durasse longos anos, por que ela perdeu espaço? As respostas à essas perguntas vêm de vários frentes, entre eles da Ásia.
Para o sindicato dos trabalhadores, o rami sucumbiu por causa da política oficial de poucos incentivos. ''Fracassou devido à política textil, que praticamente provocou a erradicação do rami'', avalia Wilson Ramalho Matta.
Luis Itumura é mais específico e observa que a proliferação das fibras sintéticas, oriundas principalmente da Ásia, fizeram com que o mercado passasse a preferir fios mais finos e mais apropriados à modernidade. A rusticidade da fibra natural do rami só não foi sua sentença de morte graças às indústrias de embutidos, que usam o fio para embalar seus produtos, e de cordas. Seu discurso alinha-se com o do pai. ''A fibra sintética acabou com o rami. Há mais de dez anos que não cultivo rami porque não tem mais comprador'', reforça Susumo Itimura.
Sem as plantações de rami, os produtores de Uraí buscaram na diversificação uma saída para a crise. Hoje, a economia do município está assentada em pequenas propriedades cerca de 95% da área total que produzem café, uva, trigo, soja, banana entre outros produtos. ''Hoje, a economia está boa porque a cidade tem bastantes e pequenas lavouras'', garante o prefeito.
Hoje, as lavouras de rami no Paraná estão concentradas quase que exclusivamente no Distrito de Guaravera, na zona sul de Londrina, onde são cultivadas por João Itumura, um dos irmãos de Susumo. Em Uraí, restam apenas alguns vestígios da ramicultura, como uns poucos barracões que são usados para beneficiamento de café ou como depósito e as vítimas mutiladas, conhecidas por todos na cidade. A planta e a máquina ''periquito'' estão apenas na lembrança de quem viveu aquela história.(L.A.)





