O número de vigilantes e seguranças particulares que atuam hoje em Londrina, entre formalizados e informais, é maior do que o contingente de policiais militares lotados na cidade. A estimativa é baseada em dados do Sindicato dos Vigilantes de Londrina e confirmada pelo setor de Relações Públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar. O tenente Ricardo Eguedis, que responde pelo setor, explicou que não pode divulgar números, por questões de segurança, mas admite que se a comparação for feita apenas entre os vigilantes e os PMs, a vantagem numérica fica com os vigilantes. Esse panorama demonstra o crescimento experimentado pelo setor nos últimos anos.
De acordo com as estatíticas do Sindicato dos Empregados em Empresas de Segurança, Vigilância, Transportes de Valores e em Serviços Orgânicos de Segurança de Londrina e Região, cerca de 800 trabalhadores estão no ramo na cidade. A quantidade de informais, porém, eleva esse número para 1.600.
O presidente Orlando Luís de Freitas acredita que o maior problema hoje é a atuação dos clandestinos. Para evitar esse problema, quem contrata uma empresa deve tomar cuidados como verificar o registro junto à Polícia Federal e colher informações com outros clientes.
''Se o vigilante matar alguém em serviço, a responsabilidade pode pesar sobre quem contratou o profissional'', alerta. Até para evitar que a empresa mantenha serviço de fachada, venda o nome e apenas acione a polícia ao receber o chamado de um alarme.
Para ele, a melhor solução seria investir no salário dos policiais para evitar a contratação de vigilantes. O presidente admite que a atual onda de violência é benéfica para o setor, mas ruim para a cidade.
Freitas explica que a função primordial dos vigilantes é prevenir os crimes. ''O vigilante não pode colocar a vida da população em risco'', salienta. Para isso, o profissional precisa passar por treinamento em academia especializada, que inclui prática de tiro, avaliação psicológica e de coordenação motora. É necessário ter o Ensino Fundamental completo.
O presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Paraná (Sindesp), Jeferson Furlan Nazario, afirma que o aumento do investimento em segurança particular é resultado do crescimento do poder aquisitivo da população.
''As pessoas estão preferindo um sistema VIP de vigilância. O aumento do investimento em segurança não está apenas relacionado ao aumento da violência, mas ao crescimento do poder aquisitivo da população'', declara.
Por questões de segurança, o setor de Relações Públicas da PM é impedido de divulgar o efetivo em Londrina. ''Existem criminosos que querem utilizar-se dessas informações para fazer a prática deles ser mais rentável. (A meta) É não dar munição para os nosso inimigos'', explica Eguedis.
Ele também não concorda que haja mais vigilantes do que policiais na cidade. ''Somando o número das forças policiais da cidade (incluindo Militar, Civil, Ambiental e Científica), nós teríamos um número a altura dos vigilantes'', declara. No entanto, apenas a PM faz policiamento ostensivo e de repressão ao crime na cidade; as polícias civil e científica trabalham somente na elucidação dos crimes e a polícia ambiental, como diz o próprio nome, se encarrega da preservação do meio ambiente.
Eguedis concorda que o crescimento do setor de vigilância privada gera empregos e divisas, mas admite que os trabalhadores poderiam estar empregados em outras áreas. ''Que bom seria se esses funcionários da segurança privada pudessem estar atuando na linha de produção de alimentos, de bens e serviços, e que conseguissem qualificação e tivessem emprego formal garantido'', ressalta.
O trabalho de policiais como vigilantes, porém, é vetado pelo Estatuto da Polícia Militar. Isso porque o momento de descanso deve ser usado para que o profissional possa se reconstituir ''física e mentalmente para um outro turno de serviço. Mesmo assim, existem casos em que policiais exercem a função de vigilância particular de forma clandestina. Em Londrina, já houve casos de punições administrativas por esse motivo. A punição máxima é a expulsão. As denúncias sobre esse procedimento podem ser feitas anonimamente pelo 181 ou diretamente no 5º Batalhão.

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