Com 98 passageiros procedentes de Marselha, um Concorde da Air France pousou ontem, às 9h35, na pista principal do Aeroporto Internacional Foz/Cataratas. Antes de descer, ele sobrevoou as Cataratas e a Hidrelétrica de Itaipu.
Os turistas vieram comemorar o reveillon no Brasil, privilegiando dois espetáculos: o show de fogos de artifício, hoje à noite, no Rio de Janeiro, e as Cataratas do Iguaçu. Ontem mesmo, às 19 horas, o avião retornou ao Rio de Janeiro.
Vestido a caráter, um grupo do Centro de Tradições Gaúchas Charrua recepcionou os visitantes no desembarque. Ao som de violão e sanfona, os gaúchos dançaram e cantaram músicas nativas. Os franceses alegraram-se, cumprimentando o grupo. Ao meio-dia, na Churrascaria Cabeça de Boi, os gaúchos voltaram a homenageá-los com nova apresentação musical.
O Concorde voou pela primeira vez em 2 de março de 1969, decolando de Toulouse (França), em vôo de teste. É a terceira vez que o maior supersônico comercial do mundo (voa a 2,4 mil quilômetros por hora, duas vezes a velocidade do som) pousa no aeroporto de Foz. O avião faz o percurso Paris-Rio em seis horas, com escala em Dakar (África). O próximo pouso do Concorde em Foz está previsto para o Carnaval, em fevereiro.
O vôo de ontem foi colocado à venda em março e no mês de julho já estava lotado. Cada passageiro pagou US$ 13,5 mil pelo pacote, incluindo hospedagem. O Concorde bate todos os recordes nos percursos internacionais. Por exemplo: a viagem entre Paris e Nova Iorque custa US$ 6,7 mil (ida-e-volta) e pode ser feita em três horas e 25 minutos.
Em ocasiões anteriores, o Concorde também trouxe turistas à cidade. O próximo pouso está previsto para fevereiro do ano que vem, novamente com turistas franceses.
‘‘A vinda do Concorde constitui um ciclo importante para aviação comercial em Foz. Por isso, é conveniente que as autoridades do setor turístico se mobilizem para atrair mais europeus’’, comentou o superintendente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), Vanderlei Luiz Soldatelli.
Ele explicou que o mercado francês tem alto poder aquisitivo, encontrando-se em condições de programar vôos com escalas em aeroportos brasileiros, incluindo o de Foz.
Apesar dos pousos de MD-11, Airbus, Boeing, Concorde e outros aviões de grande porte, o movimento aéreo no aeroporto não cresceu em 96. A Infraero registrou 11.650 operações de vôos-charteres (fretados), com apenas 7.754 passageiros. O fluxo deste ano nas companhias aéreas deverá ficar em torno de 458 mil pessoas, entre turistas e convencionais.
A Infraero estima que os vôos sub-regionais, entre os quais o da Transbrasil - Curitiba-Foz-Córdoba - possam dar mais alento ao setor. ‘‘Se este funcionar, e os empresários conquistarem o público que frequenta as rotas de Buenos Aires e Santiago do Chile, poderemos alcançar até 600 mil passageiros’’, salientou Soldatelli.

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