Agora ‘‘só’’ faltam 54 quilômetros para a conclusão do asfalto da Estrada Boiadeira (BR-487), entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste. A Construtora CBEMI, que trabalha na pavimentação a partir de Campo Mourão, concluiu esta semana o primeiro quilômetro do asfalto, que foi retomado em setembro, após uma paralisação de oito anos. Com isso, o trecho de 75 quilômetros entre as duas cidades agora tem 21 quilômetros pavimentados. Os outros 20 estavam prontos desde 1990.
A previsão do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) é que até o final do ano cerca de oito quilômetros fiquem prontos. São quatro quilômetros a partir do trecho onde a estrada havia parado, próximo ao patrimônio de São Geraldo, em Araruna, e outros quatro a partir de Tuneiras do Oeste, em direção a Campo Mourão, onde trabalha outra empreiteira. Os operários trabalham na terraplanagem, drenagem e alargamento da rodovia.
O medo que as obras voltem a ser paralisadas devido aos cortes do governo federal diminuiu com a chegada do prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli (PSDB). Ele ficou dois dias em Brasília e voltou confiante que os trabalhos não vão parar. ‘‘A bancada do Paraná assumiu o compromisso de incluir a Boiadeira entre as 10 obras prioritárias do Estado para o orçamento do ano que vem’’, explicou. ‘‘Estava esperando algo pior’’, admitiu Tezelli.
No período em que esteve em Brasília, o prefeito conversou com o líder da bancada paranaense, deputado José Borba (PTB). ‘‘Ele disse que a bancada não deixará de incluir a Boiadeira’’. Além disso, a direção do DNER do Estado enviou um ofício a todos os deputados paranaenses mostrando a importância da pavimentação da rodovia e pedindo o apoio para garantir verbas no orçamento. ‘‘Para 1999 serão necessários cerca de R$ 10 milhões’’, disse Tezelli.
Desconfiança A conclusão da Boiadeira está orçada em R$ 30,8 milhões. No orçamento da União deste ano, estão previstos R$ 9,4 milhões, mas somente R$ 5,4 milhões foram liberados até agora. Nos 20 quilômetros prontos há oito anos, foram investidos cerca de R$ 8 milhões. A retomada das obras, no entanto, ainda gera desconfiança. ‘‘Torcemos para que o asfalto seja feito até o fim, mas temos muita desconfiança’’, diz o empresário Ricardo Paiva Fante, 25.
Fante trabalha no único posto de combustível de São Geraldo, às margens da Boiadeira. ‘‘Meu pai comprou o posto há 20 anos achando que o asfalto sairia logo’’, contou. Como a pavimentação ainda não saiu, um terreno ao lado destinado à ampliação do estabelecimento continua sendo usado como campo de futebol. ‘‘Se asfaltassem pelo menos uns 25 quilômetros já dava para ampliar o posto’’, disse. ‘‘Do jeito que está, não dá movimento’’.
Do posto de gasolina, Fante diz que costuma ouvir reclamações de motoristas que se irritam ao chegar ao fim do asfalto. ‘‘Eles voltam brabos porque não há placas avisando que a rodovia não é toda asfaltada’’, explica. Fora os enganos, movimento em São Geraldo só mesmo dos moradores locais e do ônibus que, uma vez por dia, faz a linha Campo Mourão/Araruna/São Vicente, através de uma outra estrada, que deixa Campo Mourão 10 quilômetros mais longe.

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