Concluída sindicância sobre Lerroville
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terça-feira, 20 de setembro de 2005
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A sindicância sobre a morte do aluno Victor Hugo Ferreira Silvestre, 15 anos, concluiu que Renilson Machado do Nascimento diretor da Escola Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto e Carlito Norbero Murari funcionário público devem responder a procedimento administrativo. A decisão foi baseada em depoimentos de testemunhas e cópias do inquérito policial.
Victor Hugo morreu eletrocutado em 12 de agosto ao tocar a cerca elétrica instalada irregularmente sobre o muro da escola, localizada no Distrito de Lerroville (Zona Sul). Nascimento admitiu na polícia que ordenou a Murari construir uma cerca de arame farpado sobre o muro e que pretendia eletrificá-la futuramente para evitar os frequentes casos de vandalismo. O funcionário confirmou a instalação, ligou o fio elétrico a dois fios de arame e, em seguida, concectou a outra ponta do fio à caixa de energia elétrica da escola. Mas, nenhum deles admite ter ligado o disjuntor e, automaticamente, eletrificado a cerca.
Segundo a Secretária de Educação de Londrina Carmem Baccaro Sposti, a Secretaria Municipal de Gestão designará três pessoas (duas da Educação e uma da Procuradoria Geral do Município) para uma comissão que avaliará o processo de sindicância, poderá ouvir novas testemunhas e repetir depoimentos. Eles definirão qual o tipo de infração cometida e qual a punição devida conforme o Estatuto do Servidor Municipal. Na prática, isto significa que eles poderão receber uma simples advertência ou até serem exonerados do cargo. ''Sabemos que não houve intenção, mas isso não os isenta da responsabilidade'', afirmou.
O prazo para conclusão do procedimento administrativo é de 60 dias com direito a outros 30 de prorrogação. Mas, Carmem acredita que essa dilatação não ocorrerá a exemplo da sindicância. Embora afirme que o respeito aos prazos é comum, a secretária confirma que a mobilização da comunidade está exigindo uma resposta rápida.
De acordo com a secretária de Educação, o diretor da escola não pediu autorização para instalar uma cerca eletrificada. ''Na minha opinião, esse tipo de equipamento de segurança não corresponde à proposta pedagógica do município. Gostaria que as escolas não precisassem de muros ou cercas e que a sociedade as conservassem como um patrimônio social. Entendo que este sonho depende de uma mudança cultural, mas espero presenciar isso um dia'', comentou.
Até o final da semana, Nascimento está de licença médica, mas é provável que ele continue afastado do cargo até a conclusão do procedimento administrativo. Nesse meio tempo, o diretor receberá atendimento psicológico. Murari, por sua vez, mantém sua rotina de trabalho na escola.
O 6º Distrito Policial (DP) instaurou inquérito, mas a reportagem da Folha não encontrou o delegado Algacir Ramos para saber a sua conclusão.


