Concessionárias não investiram R$ 212 mi
Emerson Cervi
De Curitiba
O Anel de Integração é uma nova concepção de desenvolvimento estratégico para o Paraná, com o objetivo de prover o Estado de uma infra-estrutura rodoviária moderna, visando, além do fomento de atividades comerciais entre as principais regiões, criar um fator implementador para a industrialização local.
Assim era apresentado o programa de concessão de rodovias do Estado na primeira campanha eleitoral do governador Jaime Lerner (PFL), em 1994. Considerado prioridade no início do primeiro mandato de Lerner, o Anel de Integração foi um dos mais ousados programas de estadualização de rodovias federais para posterior transferências à iniciativa privada. Até 1998, o governo federal tinha concedido diretamente à iniciativa privada, 856 quilômetros de rodovias para cinco concessionárias. No mesmo ano, o governo do Paraná concedeu 2.035 quilômetros a seis empresas, perdendo apenas para São Paulo e Rio Grande do Sul em extensão de estradas concessionadas.
Apesar do programa paranaense ter sido implementado dentro do cronograma previsto, pouco depois do início da cobrança de pedágio, em junho de 1998, em campanha eleitoral, o governador, dando ouvidos a protestos da população, reduziu em 50% o valor das tarifas. Menos de dois meses depois, as concessionárias conseguiram uma liminar judicial suspendendo a obrigatoriedade da realização de novos investimentos até a recomposição dos preços. Com isso, todo o programa Anel de Integração e seus benefícios para o desenvolvimento estratégico do Paraná foram cancelados. Há mais de um ano o programa e as obras estão paralisadas.
Se o cronograma original do Anel de Integração para os 14 meses passados fosse cumprido, as seis concessionárias teriam investido R$ 212 milhões em obras nos 2.035 quilômetros de rodovias concessionadas. Isso representa a metade de tudo o que o programa Paraná Urbano investiu no Estado entre 1996 e 1999 nos municípios paranaenses.
Entre as obras previstas para o primeiro ano de concessão do Anel e que não foram realizadas estão 91,5 quilômetros de duplicações e contornos. Outros 500 quilômetros passariam por restauração completa. Deveriam ter sido instaladas dez passarelas e um viaduto entre 1998 e 1999.
Os prejuízos causados para a economia do Estado, principalmente na geração de empregos, foram maiores ainda nesse período de suspensão do programa. Com a queda na arrecadação, as seis concessionárias reduziram em cerca de 35% o quadro de funcionários fixos inicial. Hoje, trabalham 1.430 pessoas no Anel de Integração. Se o cronograma de obras estivesse sendo cumprido, as empresas teriam mais 700 funcionários fixos. Segundo estimativas nacionais, as construtoras que seriam contratadas para as obras do cronograma inicial gerariam mais 3,9 mil empregos diretos e outros 12,6 mil indiretos.
Ao todo, mais 17,2 mil postos de trabalho entre diretos e indiretos estariam abertos para trabalhadores de baixa capacitação profissional no Estado. Este número é superior aos empregos diretos e indiretos gerados pelas montadoras Audi/Volkswagen e Renault no Paraná atualmente.Além de não serem cumpridas as promessas de rodovias com qualidade, impasse entre governo e concessionárias provoca desemprego
Arquivo FolhaPRAÇAO aumento no preço dos pedágios pode sair a qualquer momentoArquivo FolhaBURACOImpasse reduziu em 35% o quadro de funcionários das empresas





