A ação das quadrilhas de estelionatários tem causado problemas não só à Fiat, mas também às demais marcas de automóveis. Um dos anúncios veiculados em Londrina, nas últimas semanas, traz os telefones (011) 895-2843 e 9999-6635, de São Paulo. No primeiro número, quem atende é a secretária-eletrônica. Uma voz masculina informa que trata-se do Serviço de Atendimento Eletrônico da Volkswagen do Brasil; diz que ‘‘a sua ligação é muito importante’’ e pede para deixar o número de telefone.
O alçapão está armado para pegar mais um interessado em negócios bons e fáceis, desses que não existem na vida real. Quem dá o retorno, minutos depois, é um senhor que se identifica apenas como Cardoso e diz pertencer à Cooperativa de Funcionários da Volkswagen. Nos últimos dias, ele tentou ‘‘vender’’ uma perua Kombi zero km, ‘‘por um precinho camarada e dividido em 40 meses’’, ao repórter da Folha e ao diretor geral da concessionária da Volks Norpave, Antonio Carlos Costa.
Cardoso explica que a Kombi é relativa a uma cota de consórcio sorteada, que pertence a um funcionário da Volks de São Bernardo do Campo (SP) que não pretende ficar com ela e, por isso, está vendendo-a por R$ 13.600,00 à vista; enquanto o preço de tabela é de R$ 15 mil. Ele aceita ainda R$ 2.600 de entrada e o restante em 40 parcelas de R$ 310,00. Detalhes curiosos: o golpista exige o envio bancário do valor de entrada no mesmo dia do primeiro contato, sem nenhum tipo de recibo que comprove o negócio, e promete que a Kombi será entregue em Londrina ao comprador, em poucos dias, pela revendedora Norpave.
‘‘Eu conversei com o tal Cardoso, me passando por um possível comprador, e depois chequei os dados na Volkswagen de São Paulo. Ele não passa de um golpista, que pertence a uma das muitas quadrilhas que têm infernizado a vida das fábricas, das concessionárias, e feito muitas vítimas no País inteiro’’, comenta o diretor-geral da Norpave. ‘‘São malandros, que não têm nada a ver com a Volks e envolvem a fábrica, as revendedoras e prejudicam bastante a nossa imagem junto aos consumidores.’’
De acordo com Antonio Carlos Costa, esse tipo de golpe já vem sendo praticado nas grandes capitais há cerca de três anos, e chegou a Londrina recentemente. ‘‘São vários e diferentes bandos de golpistas que atuam com muita eficiência. Por isto, todo cuidado é pouco. A Volks já fez diversas denúncias à Polícia, mas até hoje poucos foram presos e eles prosseguem atuando ativamente. Muitas das vítimas não reclamam porque têm vergonha de terem sido passadas pra trás.’’
(Osmani Costa)

mockup