Concessionária tem 4 acidentes em 10 dias
O bom desempenho junto aos órgãos oficiais não impediu que a ALL registrasse quatro acidentes em apenas dez dias. Os descarrilamentos ocorreram entre 23 de julho e o último dia 1º. Dois deles em um trecho de apenas seis quilômetros de ferrovia, no município de Fernandes Pinheiro (Centro-Sul do Estado). Só neste ano, a Folha registrou seis acidentes graves com trens da concessionária em território paranaense (leia quadro ao lado).
De acordo com o Sindicato dos Ferroviários (Sindifer), os números de acidentes são maquiados e o que chega à imprensa e também ao órgão regulador do Ministério dos Transportes está bem abaixo da realidade. Enio Prestes, vice-presidente do Sindifer, dá um exemplo: entre novembro de 99 e abril deste ano teriam ocorrido cinco acidentes de proporção em um trecho de 25 quilômetros de linha na região de Ponta Grossa. Pelo menos uma parte desses acidentes teria sido abafada.
Ferroviários ouvidos pela Folha, que preferiram não ser identificados, confirmaram que muitas ocorrências não são divulgadas para não prejudicar os resultados da empresa. Um deles afirmou que há casos em que funcionários feridos seriam pressionados a não assinar a notificação do acidente. Além de mascarar os dados da empresa, essa estratégia também acabaria beneficiando os empregados, já que eles recebem adicionais de salário quando a companhia obtém bons resultados.
Outros funcionários relataram problemas de conservação da malha ferroviária, como dormentes podres, trilhos gastos e mato alto ao longo da via, o que dificultaria a visão do maquinista, favorecendo a ocorrência de acidentes. De acordo com Prestes, a ALL, baseada em sua política de redução de pessoal, demitiu a maior parte dos funcionários que atuavam na manutenção da rede. As empresas terceirizadas, contratadas para essa função, só estariam atuando em situações de emergência. No período estatal, a manutenção era preventiva.
Raimundo Pires da Costa, diretor da concessionária, usa a avaliação da Secretaria de Transportes Terrestes para rebater as acusações. Segundo ele, as empresas terceirizadas que fazem a manutenção das linhas têm renome nacional e até internacional e a inteligência dessa área é mantida na empresa.
Costa anunciou que a ALL está contratando uma empresa para detectar falhas no interior dos trilhos por meio de ultrassom. Essa tecnologia custa R$ 250,00 por quilômetro. Tentamos evitar ao máximo os acidentes, até porque um trilho quebrado pode manter parados até dez trens e isso representa prejuízo.





