Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Enquanto os caminhoneiros protestavam contra o aumento das tarifas nas rodovias e nas praças de pedágio, a Econorte anunciava o conjunto de obras a serem executadas até dezembro de 2002 no lote 1: a retomada das obras do Contorno Sul de Ibiporã e o projeto de recuperação dos trechos da PR-445 e da PR-323, que ligam o distrito da Warta (no município de Londrina) ao Porto Charles Naufall (Sertaneja), divisa com o Estado de São Paulo.
‘‘Sem o aumento da tarifa, estas obras não poderiam ser viabilizadas’’, afirmou ontem o diretor-presidente da concessionária, Gustavo Mussnich. ‘‘Na verdade, as obras só não estão prontas ainda por causa destes 20 meses de batalha judicial com o governo’’, justificou.
Embora o cronograma de melhorias dê um prazo de três anos para a conclusão das obras, a expectativa de Mussnich é que o contorno e a duplicação da BR-369 desde a saída de Ibiporã até o Rio Tibagi fiquem prontos até o final de 2001. ‘‘É um prazo razoável para obras deste porte’’.
Em 40 dias, deverá começar o processo de contratação de 250 operários. No total, serão gastos R$ 22 milhões. ‘‘A concessionária, os usuários e as comunidades envolvidas consideram esta obra prioritária e é por isso que a retomamos simultaneamente à recuperação de tarifa’’, disse Mussnich.
Segundo ele, o afunilamente de uma auto pista em uma via urbana acarreta constantes perigos a pedestres e ciclistas de Ibiporã. Com o contorno, que liga o trevo da Jaqueira ao Ceasa de Londrina – um trecho de 12 quilômetros (e mais três até o Rio Tibaji) –, o tráfego em pista dupla passará por uma zona periférica ao perímetro da cidade e diminuirá riscos de atropelamento e de acidentes. Também serão construídas quatro passarelas, em pontos a serem definidos pelo Departamento de Estradas e Rodagens.
Em relação ao dia de protesto dos caminhoneiros, Mussnich afirmou que se for feito de maneira pacífica, ‘‘toda mobilização é legítima em um estado democrático’’. ‘‘Acreditamos que a opinião deles mude com a retomada das obras. Eles vão perceber que vale a pena pagar pedágio’’, defendeu.
O contrato de concessão da Econorte vigora desde 1998 e tem validade até 2021. O lote 1 tem 274 quilômetros e engloba trechos da BR-369, da PR-445, da PR-323 e da PR-090.