Curitiba - A assistente administrativo Marília Gabriela Pereira da Costa recentemente passou por uma cirurgia de pequeno porte. No dia do procedimento, trabalhou pela manhã, entrou no hospital ao meio-dia e foi liberada para voltar para casa às 16 horas. O método foi feito com anestesia e ela não precisou passar a noite no hospital. ''Por melhor que seja o hospital, nunca é bom dormir lá'', opina.
Marília utilizou os serviços de um ''hospital dia''. O conceito é bastante difundido na Inglaterra e nos Estados Unidos. Trata-se de um hospital especializado em realizar procedimentos cirúrgicos de curta e média complexidade. Se a assistente tivesse realizado a cirurgia em uma instituição tradicional, teria que dormir pelo menos uma noite no local. Deste modo, os índices de infecção hospitalar caem bastante e os pacientes com procedimentos menos complexos deixam de ocupar leitos onde são realizadas cirurgias de emergência.
Nos países europeus e norte-americanos, a demanda por leitos para pequenas cirurgias é grande, e a criação de centros especializados nestes procedimentos beneficiou também os que necessitam de interferências mais graves. Se antes uma cirurgia de pequeno porte era adiada para que na mesma sala fosse realizado procedimento de urgência, hoje existem espaços especializados para diferentes problemas de saúde.
A diferença entre um hospital tradicional e o ''hospital dia'' vai além de liberar o paciente para ir para casa com menos tempo. Todo o processo cirúrgico é pensado para que o procedimento seja o menos invasivo possível. Os médicos, assistentes e anestesistas mudam as técnicas habituais e usam a tecnologia para beneficiar o tratamento.
Existem algumas instituições que pregam este conceito no Brasil, mas fogem da ideia inicial, pois funcionam dentro das instalações do hospital tradicional.
Em Curitiba, a Paraná Clínicas inaugurou há um ano um ''hospital dia''.
Um dos principais benefícios do novo conceito diz respeito ao baixo número de casos de infecção hospitalar. Segundo o gerente da Paraná Clínicas, Giovanni Targa, o índice é de menos de 1%. Em um hospital tradicional, este número chega a até 14%. A Organização Mundial da Saúde aceita índices de até 18%. Quanto aos custos, o procedimento no hospital dia chega a ser 40% mais barato.

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