Conar analisa símbolo de campanha
Silvana Leão
De Londrina
O Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), está analisando denúncia feita por um londrinense que pede o fim da veiculação da campanha Londrina exige o fim da violência!, lançada há pouco mais de um mês por representantes da sociedade civil organizada e veículos de comunicação da cidade. Justificativa: as propagandas exibidas na TV e os cartazes da campanha, que mostram um quadrilátero vermelho agredido por quatro buracos de arma de fogo, são uma agressão à bandeira do município.
Ontem, representantes de entidades que fazem parte do movimento, juntamente com o publicitário Valduir Pagani, proprietário da Engenho Propaganda, agência responsável pela criação da campanha, deram entrevista coletiva para falar sobre o assunto. Pagani esclareceu que soube da denúncia por acaso, no dia 29 de outubro, através de uma emissora de televisão local que entrou em contato com a agência pedindo autorização para enviar ao Conar uma cópia do material. Liguei para o Conselho e fui informado do que estava acontecendo.
Normalmente, em casos semelhantes, se o Conar decide pela retirada do ar de uma campanha isto é feito imediatamente, e só depois a agência é comunicada do motivo, para que ofereça defesa. Pagani acha muito difícil que a decisão do Conselho seja pela suspensão da propaganda já que foi um material aprovado por toda a sociedade londrinense , mas em caso positivo, isto poderá ser feito hoje ou até os próximos dias.
Em material distribuído durante a entrevista coletiva, Valduir Pagani admite que o quadrilátero vermelho sangrando usado como logomarca da campanha pretende remeter à bandeira de Londrina, que tem quatro estrelas no lugar dos quatro buracos à bala. Mas a bandeira, no caso, é apenas um ícone que representa todos nós londrinenses, que estamos sendo agredidos diariamente pela violência, pela falta de policiamento, pelo descaso do governo do Estado em relação à segurança da segunda cidade em importância do Paraná, diz o texto, preparado para funcionar como defesa da agência, caso seja necessário.
Ainda sobre a relação da imagem criada para campanha e a bandeira, o publicitário diz que só uma pessoa de poucos recursos de inteligência não faria essa associação óbvia. Se esta pessoa for londrinense, pior ainda. Ela não teve a capacidade de entender que o impacto sobre a bandeira busca um objetivo maior, que é garantir uma cidade mais segura para seus filhos, para sua família, para seus netos, para ele próprio.
Segundo o texto, esta pessoa estaria contente com os rumos que a violência está tomando na cidade. Ou pior, está querendo ser o centro das atenções, em cima de uma campanha que surgiu de um clamor popular... O publicitário lembrou que não é a primeira vez que uma bandeira é utilizada como imagem para reivindicar ou indicar problemas ou descasos. Ele citou como exemplo a marca da Organização Não-Governamental SOS Mata Atlântica, em que a bandeira brasileira tem apenas parte do verde, indicando a destruição de nossas matas.
Os organizadores da campanha contra a violência garantem que, se por acaso o Conar der indicação para a retirada do ar do material, o movimento vai continuar mesmo sem os recursos visuais, e talvez sejam repensadas novas formas de divulgação. Será, porém, uma agressão à sociedade que se mobilizou e uma vã tentativa de nos intimidar, disse o presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, Newton Moratto.
De nossa parte, continuaremos fazendo todo o esforço possível contra qualquer tipo de violência, inclusive a da censura hipócrita, informa Valduir Pagani ao final do texto escrito para defesa. Segundo ele, nos muitos anos em que sua agência está no mercado, nunca aconteceu em Londrina de alguém pedir a retirada de uma campanha do ar por motivo semelhante. Não está sendo cogitada, segundo os organizadores, a criação de outro símbolo para a campanha.
De acordo com Pagani, o Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária, no qual o denunciante provavelmente se baseou para entrar com o recurso, é pouco conhecido no País, a não ser pelas pessoas que trabalham diretamente no meio publicitário. Acreditamos, portanto, que quem fez a denúncia é uma pessoa bem esclarecida sobre o código. Provavelmente alguém do meio.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, observou que uma denúncia desta nos entristece, pois dá a entender que esta pessoa não está preocupada com Londrina. Orsi, a exemplo dos outros organizadores do movimento, acredita que, se a campanha sofrer este impedimento parcial agora, terá atingido pelo menos parte de seus objetivos, que é fazer com que as autoridades manifestem-se sobre o assunto.
Ontem, foi confirmada pelo chefe da Casa Civil do Estado, Pretextato Taborda Ribas, a presença em Londrina do delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Noronha, do comandante-chefe da Polícia Militar do Paraná, coronel Guaraci Barros, e do secretário de Segurança Cândido Martins de Oliveira.
A Folha confirmou junto ao Conar o recebimento de queixa de um consumidor de Londrina contra a propaganda. O diretor-executivo do Conselho, Ediney Marchi, informou que a campanha está sendo analisada tecnicamente por advogados do Conar, que decidirão se a denúncia deverá se constituir ou não em processo contra o movimento. De acordo com Marchi, não há prazo previsto para que isso seja decidido.Pedido feito ao Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária tenta evitar veiculação de material pelos veículos de comunicação
Josoé de CarvalhoLauro Zanetti, da OAB; Valter Orsi, da Acil; Valduir Pagani, da Engenho, e Newton Moratto, do Conselho de Segurança





