Noventa e sete funcionários contratados irregularmente pela Companhia Municipal de Urbanização vão continuar nas suas funções até que seja realizado concurso público. A lista de irregulares tem 212 pessoas, que estão cumprindo aviso prévio desde o início de junho. Os 97 selecionados devem permanecer na Comurb por mais, no máximo, seis meses, contados a partir do vencimento do aviso prévio.
Continuar na irregularidade foi, segundo o presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, a solução encontrada para manter o sistema funcionando nesse período de espera pelo concurso. A maioria dos selecionados vai ocupar funções nos terminais de ônibus. ‘‘O aviso prévio já foi uma extensão da irregularidade para não parar os setores primordiais e evitar um mal maior’’, alega. ‘‘Não temos outra saída’’.
A lista dos 97, afirma Kyosen, obedeceu a uma seleção rigorosa. Segundo Kyosen, a definição dos nomes considerou principalmente aspectos técnicos, qualidade do serviço e assiduidade no emprego, além de dar preferência para quem já exercia função nos terminais de ônibus.
A manutenção de funcionários irregulares naComurb está sendo acompanhada pelo Ministério Público. O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, exigiu a assinatura de um termo de compromisso para permitir as contratações. Antes de aceitar a lista, Galatti questionou outras duas alternativas: remanejar pessoal dentro da própria Comurb para cobrir os terminais de ônibus ou ‘‘emprestar’’ funcionários de outros órgãos da municipais. Kyosen afirma que não há funcionários disponíveis.
Galatti considerou ‘‘razoável’’ o número de 97 funcionários, considerando que a empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) mantinha os serviços com 87 empregados. A contratação dos 212 funcionários foi feita no começo desse ano pelo então presidente da Comurb, Cléber Tóffoli, justamente para o funcionamento dos terminais de ônibus, cuja administração passou para a Companhia. Tóffoli, que acumulava o cargo de secretário da Educação, pediu afastamento das funções públicas logo que a forma de contratação dos 212 começou a ser questionada. Ele deixou a Prefeitura no início de junho. No dia 10, assumiu Kyosen. ‘‘Contratações eram necessárias, o problema foi que a administração não tomou o cuidado de fazê-las pelas vias normais de contratação’’, diz Kyosen. ‘‘Não precisa ser muito inteligente para saber que em serviço público só se entra por teste seletivo ou concurso público.’’

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