Comurb fez em um mês 19 licitações
Lucilia Okamura
De Londrina
Em pouco mais de um mês, a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) de Londrina realizou 19 processos licitatórios, totalizando quase R$ 3 milhões. Em todas as licitações participaram apenas três empresas a Gomes & Amâncio Ltda Engenharia e Construção Civil, de Londrina, a Construção e Terraplenagem Ltda (CAP) e a Transpereira Comércio, Transportes e Representações, ambas de Santa Catarina.
As três empresas são algumas das dezenas que estão sendo investigadas pelo Ministério Público (MP) por apresentar indícios de irregularidades. As investigações em torno das três empresas tiveram início na semana passada. Segundo documentos apreendidos pelo MP junto à Comurb, as licitações para serviços de engenharia sobre o sistema viário e meio ambiente foram realizadas entre maio e julho deste ano. Em vários casos, o prazo entre a solicitação do serviço e o pagamento aconteceu em menos de 20 dias.
O valor de cada licitação é de cerca de R$ 150 mil. Junto à Comurb, os promotores de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, e de Investigações Criminais, Cláudio Esteves, não encontraram documentos que comprovem que os serviços tenham sido realizados.
A Gomes & Amâncio teria vencido 10 licitações e seus responsáveis (o mestre-de-obras Sebastião Gomes da Costa e João Gomes das Costa) já foram chamados para prestar depoimento na semana passada, mas não compareceram. Cláudio Esteves informou que irá notificá-los novamente. A Folha foi novamente ontem na empresa, na Avenida Europa (zona sul), mas não encontrou nenhum dos responsáveis.
A outra empresa, Construção e Terraplenagem Ltda (CAP), de acordo com a documentação, teria vencido oito licitações. Serviços de engenharia para regulamentar o transporte de escolares e a avaliação da qualidade de solo em áreas públicas são alguns dos trabalhos que a CAP deveria ter realizado. A empresa, que pertence a Carlos Augusto Pereira, estaria localizada na Rodovia SC-407, próximo a Florianópolis. A Folha telefonou para a empresa e um funcionário, que se identificou como Fabrício, disse que o proprietário estava visitando algumas obras e que retornaria a ligação quando aparecesse no escritório. O que não ocorreu até o fechamento desta edição.
Já a Transpereira, localizada em São José (SC), teria vencido a licitação para executar um serviço de engenharia para elaboração e concepção de sistema informatizado para coordenação dos serviços de manutenção da vegetação existente nos fundos de vale e parques.
O telefone que consta na documentação da Comurb é da residência do proprietário da Transpereira, Carlos Augusto Pereira. Gerusa, que se identificou como mulher de Pereira, confirmou que a empresa já executou um serviço em Londrina, mas não soube dizer quando e nem dar detalhes sobre o trabalho.





