Comurb erra cálculos e carros têm de se espremer nas vagas
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Célia Baroni 
Nos últimos dez dias, quem precisou estacionar na rua Rio de Janeiro, entre o Calçadão e a rua Sergipe, enfrentou uma verdadeira prova de perseverança e habilidade ao volante. O espaçamento entre as faixas das vagas está bem menor que o ideal e os motoristas tiveram que se espremer para estacionar os veículos. O local faz parte da Zona Azul.
Ontem à tarde, o advogado Paulo Silva bem que tentou aproveitar uma vaga disponível em frente à lateral das Casas Pernambucanas. Mas, quando foi tentar sair do carro, percebeu que a tarefa era impossível. Ele ficou literalmente preso entre os dois carros estacionados nas vagas da esquerda e da direita: não conseguiu abrir nenhuma das portas do seu Kadett e desistiu da vaga.
A sorte do advogado é que, logo à frente, um outro carro saía de uma vaga que tinha ao lado um espaço livre. Se eu não encontrasse duas vagas, não teria conseguido estacionar, afirma Paulo Silva. É um absurdo fazer um serviço desses.
Pior sorte teve a professora Solange Evangelista, que sujou a roupa para poder sair de seu carro. Ela teve de sair pelo lado do passageiro para conseguir aproveitar a vaga. Tive de comer faixa para poder estacionar o carro dentro da vaga. E mesmo assim foi difícil. De quem foi a idéia genial de modificar o espaço das vagas?
A professora contou que estaciona frequentemente no local e nunca havia enfrentado problemas. Está todo mundo reclamando e muita gente acaba até desistindo de estacionar, disse à reportagem da Folha um dos meninos que trabalha na Zona Azul.
Na verdade, a redução do tamanho das vagas foi consequência de um erro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). O gerente de Trânsito da Companhia, Robson Sandrini, explicou que, na hora de medir o espaço entre as faixas que delimitam a vaga, a equipe responsável se enganou. De acordo com o projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), as vagas deveriam ter 2,20 metros de distância efetiva entre as faixas. As vagas, no entanto, ficaram com tamanhos irregulares, variando de 1,70 a 1,90 metro.
Se o motorista respeitar as faixas, a distância não permite que ele abra as portas, admite Sandrini. Ele informou, no entanto, que o trabalho será refeito quando o tempo permitir. Segundo o gerente da Comurb, a situação só não foi corrigida na noite de segunda-feira porque choveu.


