Nos últimos dez dias, quem precisou estacionar na rua Rio de Janeiro, entre o Calçadão e a rua Sergipe, enfrentou uma verdadeira prova de perseverança e habilidade ao volante. O espaçamento entre as faixas das vagas está bem menor que o ideal e os motoristas tiveram que se ‘‘espremer’’ para estacionar os veículos. O local faz parte da Zona Azul.
Ontem à tarde, o advogado Paulo Silva bem que tentou aproveitar uma vaga disponível em frente à lateral das Casas Pernambucanas. Mas, quando foi tentar sair do carro, percebeu que a tarefa era impossível. Ele ficou literalmente ‘preso’ entre os dois carros estacionados nas vagas da esquerda e da direita: não conseguiu abrir nenhuma das portas do seu Kadett e desistiu da vaga.
A sorte do advogado é que, logo à frente, um outro carro saía de uma vaga que tinha ao lado um espaço livre. ‘‘Se eu não encontrasse duas vagas, não teria conseguido estacionar’’, afirma Paulo Silva. ‘‘É um absurdo fazer um serviço desses.’’
Pior sorte teve a professora Solange Evangelista, que sujou a roupa para poder sair de seu carro. Ela teve de sair pelo lado do passageiro para conseguir aproveitar a vaga. ‘‘Tive de comer faixa para poder estacionar o carro dentro da vaga. E mesmo assim foi difícil. De quem foi a idéia genial de modificar o espaço das vagas?’’
A professora contou que estaciona frequentemente no local e nunca havia enfrentado problemas. ‘‘Está todo mundo reclamando e muita gente acaba até desistindo de estacionar’’, disse à reportagem da Folha um dos meninos que trabalha na Zona Azul.
Na verdade, a redução do tamanho das vagas foi consequência de um erro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). O gerente de Trânsito da Companhia, Robson Sandrini, explicou que, na hora de medir o espaço entre as faixas que delimitam a vaga, a equipe responsável se enganou. De acordo com o projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), as vagas deveriam ter 2,20 metros de distância efetiva entre as faixas. As vagas, no entanto, ficaram com tamanhos irregulares, variando de 1,70 a 1,90 metro.
‘‘Se o motorista respeitar as faixas, a distância não permite que ele abra as portas’’, admite Sandrini. Ele informou, no entanto, que o trabalho será refeito quando o tempo permitir. Segundo o gerente da Comurb, a situação só não foi corrigida na noite de segunda-feira porque choveu.

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